terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Altura influencia risco de doença cardiovascular, diabetes e cancro
Estudo publicado na revista “The Lancet Diabetes & Endocrinology”


Os indivíduos altos têm um menor risco de desenvolver doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2, mas um maior risco de cancro. O estudo publicado na revista “The Lancet Diabetes & Endocrinology” revela quais os fatores dietéticos e outros mecanismos que podem estar na base destas associações.
 
A altura é em grande parte determinada por fatores genéticos, mas nas últimas décadas a altura das crianças e dos adultos tem aumentado de forma constante em todo o mundo. Na idade adulta as crianças são quase sempre significativamente mais altas que os pais.
 
Estas observações levaram os investigadores da Universidade de Tübingen, em colaboração com outros institutos alemães, bem como com a Escola de Medicina de Harvard e da Escola de Boston, ambas nos EUA, a analisarem as causas e os efeitos médicos deste aumento da altura.
 
O estudo, liderado por Norbert Stefan e Hans-Ulrich Häring, demonstrou que a altura tem um impacto importante na mortalidade de determinadas doenças comuns, independentemente da massa de gordura corporal e outros fatores modeladores.
 
Estudos anteriores já tinham demonstrado que, comparativamente com os indivíduos baixos, os mais altos apresentavam um menor risco de doença cardiovascular, diabetes tipo 2, mas um maior risco de cancro. Dados epidemiológicos demonstram que por cada 6,5 centímetros adicionais o risco de mortalidade cardiovascular diminui em seis por cento, mas a mortalidade por cancro aumenta quatro por cento.
 
Na opinião dos autores do estudo, o aumento da altura é um marcador do consumo excessivo de alimentos altamente calóricos ricos em proteínas animais durante as diferentes fases de crescimento. Ainda no útero, é possível que ocorra uma programação que se repercute por toda a vida e que até à data tinha sido associada ao fator de crescimento semelhante a insulina tipo 1 e 2 e ao sistema IGF-1/2. A ativação deste sistema pode tornar o organismo mais sensível à ação da insulina, influenciando positivamente o metabolismo lipídico.
 
Os investigadores constataram que os indivíduos mais altos são mais sensíveis à insulina e têm níveis mais baixos de gordura no fígado, o que poderá explicar por que motivo têm um risco de doença cardiovascular e de diabetes tipo 2 baixo.
 
Estes resultados vão de encontro aos já anteriormente publicados que sugerem que os indivíduos altos apresentam uma proteção relativa contra doenças do metabolismo dos lípidos. Contudo, a ativação do sistema IGF-1/2 e de outras vias sinalizadoras podem estar associadas ao risco de determinados cancros especialmente, cancro da mama, cólon e melanoma porque o crescimento celular é permanentemente ativado.
 
Na opinião dos autores do estudo, os médicos devem estar mais conscientes do fato de as pessoas altas, apesar de serem menos frequentemente afetadas pela doença cardiovascular ou diabetes tipo 2, terem um maior risco de cancro aumentado. Até à data, a importância da dieta tem sido subestimada, especialmente durante a gravidez, nas crianças e adolescentes.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A.(http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/altura-influencia-risco-de-doenca-cardiovascular-diabetes-e-cancro?utm_source=NL_NOTICIAS&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_20160208)
Tumores: apenas uma pequena minoria das células contribui para o crescimento
Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”


Investigadores suecos demonstraram que uma pequena minoria de células nos tumores neuroendócrinos do pâncreas contribui para o crescimento e metastização do tumor, dá conta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”
 
O cancro aparece quando as mutações e outras alterações genéticas “desligam” o sistema de controlo do crescimento que habitualmente está presente nas células. Acreditava-se que todas as células cancerígenas de um tumor tinham o mesmo potencial para crescerem e metastizarem. Contudo, estudos recentes demonstraram que os tumores são compostos por vários tipos de células cancerígenas com diferentes alterações genéticas.
 
De acordo com o líder do estudo, Kristian Pietras, o facto de existirem tantos tipos diferentes de células num único tumor pode explicar por que motivo apenas algumas células são capazes de metastizar, e porque alguns pacientes sofrem recidivas apesar de serem expostos a tratamentos prolongados.
 
Tumores neuroendócrinos é um nome genérico dado a um tipo de tumor que são produtores de hormonas. No estudo os investigadores do Instituto de Karolinska e da Universidade de Lund, na Suécia, verificaram que nos tumores neuroendócrinos do pâncreas, uma pequena minoria de células contribui significativamente para o crescimento do tumor.
 
“Estas células representam menos de um por cento do total das células do tumor, essencialmente controlam a capacidade do tumor crescer e de metastizar”, revelou, em comunicado de imprensa, uma outra autora do estudo, Eliane Cortez.
 
A PDGFD é um tipo de proteína secretada pelos vasos sanguíneos do tumor que envia sinais para o recetor, o PDGFRβ, que se encontra localizado na superfície de uma pequena percentagem de células cancerígenas. Por sua vez, esta minoria de células cancerígenas secretam fatores de crescimento para outras células no tumor, o que resulta no crescimento de todo o tumor.
 
Através de estudos realizados em animais, os investigadores desativaram a PDGFD, o que fez com que o crescimento de todo o tumor diminuísse significativamente, apesar desta medida apenas ter tido um impacto direto numa percentagem muito pequena de células tumorais. A sinalização da PDGFD via o PDGFRβ já tinha sido descrita noutros tecidos e tumores, mas nunca neste tipo de cancro.
 
Esta descoberta é muito importante uma vez que aumenta a compreensão de como um tumor é composto por diferentes tipos de células cancerígenas com diferentes funções. De forma a compreender o nível de agressividade de um tumor, é importante descrever com precisão a sua estrutura, bem como a existência de pequenas populações de células cancerígenas que podem ter um grande impacto no crescimento global do tumor.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A. (http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/tumores-apenas-uma-pequena-minoria-das-celulas-contribui-para-o-crescimento?utm_source=NL_NOTICIAS&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_20160208)
Dor crónica altera sistema imunológico
Estudo publicado na revista “Scientific Reports”


A dor crónica pode alterar o sistema imunológico através da reprogramação do funcionamento dos genes, sugere um estudo publicado na revista “Scientific Reports”.
 
A dor é considerada crónica quando perdura há mais de seis meses. Este tipo de dor é uma das causas mais comuns de incapacidade a nível mundial, podendo os seus efeitos físicos e emocionais terem um grande impacto na qualidade de vida dos indivíduos afetados. Atualmente não existem tratamentos eficazes contra a dor crónica, nem se consegue saber quem vai desenvolver este tipo de dor após uma lesão.
 
A lesão do nervo periférico tem sido associada a alterações funcionais e persistentes no cérebro. Vários tipos de dor crónica têm sido associadas a alterações no córtex pré-frontal, uma região cerebral que desempenha um papel importante nos aspetos sensorias e emocionais da dor crónica. O córtex pré-frontal tem também sido associado a condições que acompanham a dor crónica como ansiedade, depressão e problemas cognitivos.
 
Estudos anteriores realizados em ratinhos também já tinham sugerido que os défices cognitivos e emocionais podem persistir vários meses após danos nervosos. Contudo, ainda não se tinha descoberto como estes efeitos prolongados das lesões contribuíam para a dor crónica.
 
Neste estudo os investigadores da Universidade de McGill, no Canadá, decidiram estudar o ADN dos cérebros e dos leucócitos de ratinhos de forma a averiguar uma possível ligação entre a dor crónica e o ADN, ou mecanismos epigenéticos no cérebro.
 
O estudo utilizou um método que mapeou a marcação do ADN através de grupos metilo. “A marcação com grupos metilo é importante para regular a forma como estes genes funcionam”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo Laura Stone. Este tipo de marcação química faz parte de uma área crescente da epigenética, que envolve modificações que ativam e desativam os genes, reprogramando eficazmente o seu modo de funcionamento.
 
Os investigadores apuraram que um grande número de genes, entre centenas a milhares, estavam marcados com a dor crónica. Verificou-se ainda que a dor crónica alterava a marcação do ADN no cérebro e nos linfócitos T, um tipo de leucócitos que desempenha um papel muito importante na imunidade.
 
“Agora podemos considerar as implicações que a dor crónica pode ter noutros sistemas do organismo que não estavam, habitualmente, associados à dor. Estes achados chamam a atenção para o impacto devastador da dor crónica nas outras partes do organismo, como é o caso do sistema imunológico”, referiu, um outro autor do estudo, Moshe Szyf.
 
Os investigadores esperam que estes achados possam conduzir a novas formas de diagnóstico e tratamento da dor crónica nos humanos, uma vez que alguns dos genes marcados pela dor crónica podem se tornar alvos de medicamentos para a dor.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A. (http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/dor-cronica-altera-sistema-imunologico?utm_source=NL_NOTICIAS_DESTAQUES&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_201602089)

domingo, 10 de janeiro de 2016


Blog do Programa Nacional Promoção Alimentação Saudável

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Alimentação - 5 decisões (felizes) para 2016

DGS sugere cinco medidas para melhorar os hábitos alimentares no ano em que entramos.

Comer melhor em 2016 é uma promessa com impacto real na nossa vida e na saúde do planeta. Os hábitos alimentares inadequados são as principais condicionantes dos anos de vida saudáveis perdidos pelos portugueses e a produção alimentar é um dos principais responsáveis pelo aquecimento do planeta e emissões de gases com efeitos de estufa. 

A Direção-Geral da Saúde (DGS), através do Blog Nutrimento, do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, sugere cinco medidas que podem fazer uma enorme diferença:
  1. Uma vez por semana substitua a refeição de carne por um prato vegetariano. Uma refeição de carne a menos por semana, ao longo de um ano, equivale a poupar, em emissões de carbono, cerca de 500 km de automóvel. 
  2.  Uma vez por semana experimente cozinhar sem sal. Mais de 4 milhões de portugueses sofrem de hipertensão arterial onde o sal tem um papel importante.
  3. Substitua o habitual refrigerante ou bebida açucarada diária por água. O consumo regular de refrigerantes tem vindo a ser associado ao aparecimento de diabetes tipo II e cárie dentária. Por outro lado, apenas um refrigerante ou outra bebida açucarada pode conter por lata de 330 ml aproximadamente 35 g de açúcar, o que equivale ao consumo anual de mais de 12 kg de açúcar e alguns quilos de gordura corporal a mais no final do ano!
  4. Consuma sopa pelo menos uma vez por dia e, sempre que possível, substitua, em parte ou totalmente, a batata por leguminosas (feijão, grão, ervilha, fava, lentilha). A presença de hortícolas e leguminosas ajuda a regular o colesterol, é fonte de vitaminas e minerais, reduz o risco de doença cardiovascular e certos tipos de cancro, reduz o risco de diabetes tipo II e pode ter um papel importante na regulação do trânsito intestinal e controlo do apetite. Uma dose diária destes alimentos protetores é decisiva para uma alimentação equilibrada e uma vida saudável.
  5. Vamos deitar cada vez menos comida fora, comprando e cozinhando apenas o necessário e reaproveitando. Um terço da comida produzida no nosso planeta nunca chega a ser consumida. Esta é uma das principais fontes de poluição num mundo onde 795 milhões de pessoas passam fome. E, em Portugal, dois milhões de portugueses e suas famílias estão abaixo do limiar de pobreza. Vamos deitar menos comida fora este ano!
Fonte - http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/a+saude+em+portugal/noticias/5decisoesfelizes2016+dgs.htm
 

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Brinquedos tradicionais fomentam comunicação oral das crianças
Estudo publicado no “JAMA Pediatrics”

 
Os livros e os brinquedos tradicionais, como os puzzles, potenciam mais a comunicação entre os pais e os filhos do que os brinquedos eletrónicos que produzem luzes, palavras e músicas, defende um estudo publicado no “JAMA Pediatrics”.
 
Atualmente os pais têm cada vez menos tempo para brincar com os filhos devido à situação financeira, horário laboral e outros fatores familiares. Desta forma é importante otimizar a qualidade do tempo tão limitado que os pais têm para brincar com os filhos.
 
Foi neste contexto que os investigadores da Universidade do Norte do Arizona, nos EUA decidiram averiguar de que forma o tipo de brinquedos utilizados poderia afetar a quantidade e qualidade da linguagem entre os pais e os filhos.
 
Para o estudo os investigadores gravaram as conversas que 26 pares de pais e filhos, com idades compreendidas entre 10 a 16 meses, tinham nas suas casas durante o tempo em que brincavam. Foi fornecido aos participantes três tipos de brinquedos: eletrónicos (um computador para bebés, um telefone para bebés e um quinta que produzia sons), brinquedos tradicionais (um puzzle, blocos de borracha com fotografias) e cinco livros com animais, formas ou cores.
 
Os investigadores verificaram que quando brincavam com os brinquedos eletrónicos, os adultos utilizavam menos palavras, havia uma menor troca de palavras entre os pais e os filhos, bem como havia uma menor produção de palavras de conteúdo específico comparativamente quando brincavam com brinquedos tradicionais ou livros. As crianças também vocalizavam menos quando brincavam com brinquedos eletrónicos, do que quando brincam com os livros.
 
O estudo também apurou que os pais utilizavam menos palavras e também produziam menos palavras de conteúdo específico quando brincavam com brinquedos tradicionais, comparativamente quando visualizavam livros com os filhos.
 
"Estes resultados fornecem uma base para desencorajar a compra de brinquedos eletrónicos que são promovidos como educativos e que por vezes são muito dispendiosos. Estes resultados também apoiam os benefícios dos livros de leitura para as crianças pequenas”, concluem os investigadores.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A (http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/brinquedos-tradicionais-fomentam-comunicacao-oral-das-criancas?utm_source=NL_NOTICIAS&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_20160104)

domingo, 27 de dezembro de 2015

Antidepressivos durante a gravidez aumentam risco de autismo
Estudo publicado no “JAMA Pediatrics”

 
A toma de antidepressivos, especialmente os inibidores seletivos da recaptação da serotonina, durante os dois últimos trimestres da gravidez está associada ao aumento do risco de perturbações do espectro autista, dá conta um estudo publicado no “JAMA Pediatrics”.
 
Os antidepressivos são amplamente utilizados durante a gravidez para tratar a depressão. As perturbações do espectro autista é uma síndrome do neurodesenvolvimento caracterizada por alterações na comunicação, linguagem, interação social e por padrões particulares de interesses e comportamentos. 
 
Neste estudo os investigadores da Universidade de Montreal, no Canadá, contaram com a participação de 145.456 crianças, 1.054 (0,72%) das quais foram diagnosticadas com autismo. A média de idades com que as crianças foram diagnosticadas com autismo foi de 4,6 anos e a média de idades das crianças no final do período de acompanhamento foi de 6,2. A proporção de rapazes e raparigas diagnosticadas com esta doença foi de quatro para um, respetivamente.
 
O estudo apurou que 4.724 crianças (3,2%) tinham sido expostas a antidepressivos no útero. No primeiro trimestre de gravidez foram expostas 4.200 crianças (88.9 %) a este tipo de fármacos e ao longo do segundo e terceiro trimestres foram expostas um total de 2.532 (53.6%) crianças. Verificou-se que 31 (1.2 %) das crianças deste último grupo foram diagnosticadas com perturbações do espectro autista. No grupo exposto a antidepressivos durante o primeiro trimestre de gravidez foram diagnosticadas 40 (1%) crianças com a doença.  
 
Os investigadores constataram que a toma de antidepressivos ao longo dos dois últimos trimestres da gravidez estava associada a um risco 87% maior de perturbações do espectro autista. Não foi observada qualquer associação entre a toma de antidepressivos no primeiro trimestre de gravidez ou no ano anterior à gravidez e o risco de desenvolvimento de perturbações do espectro autista.
 
Estes resultados indicam que o risco de perturbações do espectro autista fica aumentado com a toma de inibidores seletivos da recaptação da serotonina e com a utilização de mais de uma classe de antidepressivos ao longo dos dois últimos trimestres da gravidez. As crianças cujas mães tinham antecedentes de depressão, a toma de antidepressivos no segundo e terceiro trimestres foi associada a um maior risco de perturbações do espectro autista.
 
“É biologicamente plausível que os antidepressivos causem autismo, se forem utilizados no momento do desenvolvimento do cérebro no útero, uma vez que a serotonina está envolvida em vários processos de desenvolvimento pré- e pós-natal, incluindo na divisão celular, na migração dos neurónios, na diferenciação celular e na criação de ligações entre as células cerebrais", explicou, a líder do estudo, Anick Bérard.
 
“Algumas classes de antidepressivos funcionam através da inibição da serotonina o que irá ter um impacto negativo na capacidade do cérebro se desenvolver plenamente e adaptar-se no útero”, acrescentou a investigadora.
 
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a depressão será a segunda causa de morte em 2020, o que leva os investigadores a acreditar que os antidepressivos vão, muito provavelmente, continuar a ser prescritos, incluindo durante a gravidez. 
 
"O nosso trabalho contribui para uma melhor compreensão dos efeitos a longo prazo dos antidepressivos no desenvolvimento neurológico das crianças quando estes são utilizados durante a gestação. A descoberta das consequências destes fármacos é uma prioridade para a saúde pública, dada a sua utilização generalizada", concluiu, Anick Bérard.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A.  (http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/antidepressivos-durante-a-gravidez-aumentam-risco-de-autismo?utm_source=NL_NOTICIAS_DESTAQUES&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_20151221)