sexta-feira, 8 de março de 2019

Doença de Crohn poderá ser tratada com as próprias células do doente
Estudo publicado na revista “Gastroenterology”
Uma equipa de investigadores desenvolveu uma técnica que emprega as próprias células do paciente para tratar a doença de Crohn. 
 
A doença de Crohn é uma doença vitalícia e debilitante em que partes do sistema digestivo sofrem inflamação severa, causando diarreia, dores de estômago, cansaço, entre outros sintomas. Embora não se conheçam as causas da doença, sabe-se que tem alguma ligação com o sistema imunitário.
 
A nova técnica, que demonstrou ter sido eficaz em experiências com células humanas, poderá entrar em ensaio clínico nos próximos seis meses.
 
Os investigadores do Centro de Investigação Biomédica dos Hospitais Guy and St Thomas, Londres, Reino Unido, desenvolveram a inovadora técnica recorrendo a glóbulos brancos, conhecidos como linfócitos T reguladores, recolhidos de pacientes com a doença de Crohn e comparados com linfócitos de indivíduos saudáveis.
 
A comparação entre os linfócitos T reguladores de pacientes com Crohn e os de pacientes saudáveis permitiu apurar que os doentes com Crohn produziam menos integrina α4β7, uma proteína específica do sistema gastrointestinal.
 
Este achado foi a base para o desenvolvimento de uma técnica de terapia celular. A técnica envolve a manipulação de células de pacientes com Crohn com uma molécula conhecida como RAR568 que repõe níveis saudáveis de integrina α4β7.
 
As células tratadas são novamente injetadas no paciente através de infusão intravenosa. 
 
“Isto é o próximo patamar da terapia celular, na medida em que estamos a ir além do tratamento dos sintomas da doença de Crohn e a tentar reprogramar o sistema imunitário para tratar a doença”, explicou Graham Lord, investigador que liderou este estudo.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A. (http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/doenca-de-crohn-podera-ser-tratada-com-as-proprias-celulas-do-doente?utm_source=NL_NOTICIAS_DESTAQUES&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_20190225)
Alzheimer: descoberta causa de redução do fluxo sanguíneo no cérebro
Estudo publicado na revista “Nature Neuroscience”
Uma equipa de investigadores descobriu o que causa a diminuição no fluxo sanguíneo do cérebro de pacientes com a doença de Alzheimer.
 
O achado de uma equipa de engenheiros bioquímicos da Universidade Cornell, EUA, poderá conduzir a tratamentos promissores para aquela doença neurodegenerativa.
 
Após cerca de uma década de investigação, Chris Schaffer e colegas concluíram que a explicação para a redução substancial do fluxo sanguíneo observada nos cérebros com Alzheimer será devida a glóbulos brancos que aderem ao interior dos capilares, que são os vasos sanguíneos mais pequenos do cérebro.
 
Embora apenas uma pequena percentagem de capilares experiencie este bloqueio, cada vaso sanguíneo afetado provoca uma redução no fluxo sanguíneo de múltiplos outros vasos, maximizando o impacto no fluxo sanguíneo geral do cérebro.
 
Inicialmente, a equipa procurou inserir coágulos sanguíneos na vasculatura do cérebro de ratinhos com Alzheimer e ver o efeito, mas descobriu que já havia bloqueios. “Isso fez virar a investigação ao contrário – era um fenómeno que já estava a acontecer”, esclareceu Nozomi Nishimura, investigadora no estudo.
 
Alguns estudos recentes tinham sugerido que um dos sintomas precoces detetáveis na demência são défices no fluxo sanguíneo cerebral.
 
Neste estudo, a equipa identificou o mecanismo celular que causa essa redução no fluxo sanguíneo cerebral em modelos de Alzheimer. Esse mecanismo é, como se viu, a aderência de neutrófilos (glóbulos brancos) aos capilares. 
 
Por outro lado, os investigadores observaram que ao bloquearem esse mecanismo celular, o fluxo sanguíneo melhorava. Por sua vez, o melhoramento do fluxo sanguíneo fez reparar imediatamente o desempenho cognitivo em tarefas relacionadas com a memória funcional e espacial.
 
A equipa já identificou cerca de 20 fármacos, muitos deles aprovados para uso humano, que têm o potencial de tratar a demência e que estão atualmente a ser ensaiados em ratinhos com Alzheimer.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A. (http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/alzheimer-descoberta-causa-de-reducao-do-fluxo-sanguineo-no-cerebro?utm_source=NL_NOTICIAS_DESTAQUES&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_20190225)

Depressão: Este é o exercício mais eficaz para aliviar os sintomas

De acordo com um artigo publicado no periódico científico JAMA, os treinos de resistência trazem imensos benefícios não só para a saúde física como para a mental.

Brett Gordon, o principal autor do estudo e investigador na Universidade de Limerick, na Irlanda, admite que o exercício físico por si não pode curar a depressão, mas que ainda assim as recém descobertas são importantes, pois esses exercícios podem ser realizados no ginásio ou até mesmo em casa.
Exercícios para combater a depressão
De acordo com a revista Time Health, os investigadores afirmam que o treino de força mostrou-se tão funcional e eficiente quanto os principais tratamentos para a depressão, como a toma de antidepressivos e terapias comportamentais. 
Um estudo anterior publicado no British Journal of Sports Medicine revelou que o aumento do fluxo sanguíneo para o cérebro provocado pela atividade física é capaz de mudar a estrutura e a função cerebral a partir da produção de novas células cerebrais. Tal mecanismo desencadeia a libertação de substâncias químicas, como endorfinas, que melhoram o humor.
A equipa de pesquisa irlandesa analisou 33 ensaios clínicos (cerca de dois participantes) e examinaram os efeitos do treino de resistência nos sintomas da depressão.
Ao longo da análise, os cientistas descobriram que pessoas que seguiam uma rotina de exercício específica apresentaram melhorias nos sintomas da doença, como mau humor, perda de interesse em participar em atividades variadas e sentimentos de inutilidade.
Os cientistas recomendam que esses treinos de resistência sejam realizados pelos doentes pelo menos dois dias por semana.
Fonte - https://www.noticiasaominuto.com/lifestyle/1211530/depressao-este-e-o-exercicio-mais-eficaz-para-aliviar-os-sintomas?utm_medium=email&utm_source=gekko&utm_campaign=lifestyle

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Excesso de peso na pequena infância afeta saúde cardíaca na adolescência
Estudo publicado na revista “The Journal of Pediatrics”
O ganho excessivo de peso em crianças com menos de dois anos de idade poderá conduzir a fatores de risco metabólico e cardiovascular na adolescência, indicou um estudo.
 
Conduzido por uma equipa de investigadores da Universidade de Sidney, Austrália, o estudo contou com a participação de 410 crianças australianas e observou que o excesso de peso na pequena infância causou índices mais elevados de colesterol, excesso de peso e acumulação de tecido adiposo na região central do corpo na adolescência.
 
As 410 crianças foram acompanhadas e avaliadas desde o nascimento até aos 14 anos de idade. A equipa registou as oscilações no peso, altura e perímetro abdominal. 190 das crianças tiveram medições detalhadas de colesterol, tensão arterial e peso na região abdominal aos 14 anos de idade.
 
Os investigadores identificaram três grupos no estudo: um grupo com um índice de massa corporal (IMC) normal, um grupo com IMC excessivo a partir dos dois anos de idade (aumento precoce) e um terceiro grupo com IMC excessivo a partir dos cinco anos de idade (aumento tardio).
 
Foi observado que o grupo de adolescentes que tinham tido um IMC excessivo precocemente apresentavam mais gordura acumulada na região abdominal do que o grupo que tinha ganhado um IMC excessivo tardiamente. 
 
O grupo do aumento de IMC precoce apresentava níveis de colesterol significativamente mais elevados em relação ao grupo que apresentava um IMC normal. 
 
A obesidade e os fatores de risco cardiovasculares na infância estão associados a um aumento no risco de doenças cardiovasculares na idade adulta.
 
“O nosso estudo demonstra que quanto mais cedo se acumula a gordura excessiva antes dos cinco anos de idade, maior é a probabilidade de um indivíduo ter gordura à volta da cintura na adolescência”, confirmou Jennifer Barraclough, investigadora que liderou o estudo.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A (http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/excesso-de-peso-na-pequena-infancia-afeta-saude-cardiaca-na-adolescencia?utm_source=NL_NOTICIAS&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_20190218)
Portugal com menor percentagem da UE de crianças com boa saúde em 2017
Dados divulgados pelo Eurostat
Portugal apresentou, em 2017, a menor percentagem de crianças até aos 16 anos em bom ou muito bom estado de saúde (90,2%) da União Europeia, sendo a média dos 28 de 95,6%, segundo dados divulgados pelo Eurostat.
 
Segundo apurou a agência Lusa, em Portugal, 1,1% das crianças e jovens até aos 16 anos estavam, em 2017, em mau ou muito mau estado de saúde (UE 0,8%), 8,7% em estado classificado como razoável (UE 3,4%) e 90,2% em bom ou muito bom (UE 95,9%), sendo este o valor mais baixo da UE.
 
No outro extremo da tabela está a Roménia com a maior percentagem de crianças e jovens em boa ou muito boa saúde (99,4%), seguindo-se a Itália (98,8%) e a Bulgária (98,3%).
 
Na faixa etária até cinco anos, Portugal tinha uma percentagem de 93,3% de crianças em boa ou muito boa saúde (UE 96,5%), com a Bulgária a apresentar a maior taxa (99,6%), seguindo-se a Roménia (99,4%).
 
A Estónia (92,4%) teve a pior taxa, seguida da Polónia (93,1%), da Lituânia e de Portugal (ambos com 93,3%).
 
Na faixa entre os cinco e os nove anos, Portugal teve uma taxa de 89,3% de crianças saudáveis ou muito  saudáveis (UE 95,9%), a percentagem mais baixa da UE, com a Roménia a liderar a tabela (99,8%), seguida de Chipre (98,8%) e da Itália (98,8%).
 
Entre os 10 e os 15 anos, Portugal teve a segunda mais baixa taxa (88,7%) de crianças em bom ou muito bom estado de saúde (UE 95,2%), depois da Letónia (88,0%) e seguido da Estónia (89,6%).
 
As melhores percentagens, por seu lado, foram observadas na Roménia (99,1%), Chipre (98,4%) e Espanha (97,4%).
 
No que respeita a crianças sem qualquer limitação nas atividades devido a problemas de saúde, Portugal teve, em 2017, uma percentagem de 94,8%, abaixo da média da UE (95,2%), com a Letónia a apresentar a menor percentagem (87,6%), seguida pela Dinamarca (91,1%) e Lituânia (91,3%).
 
As maiores percentagens de crianças sem qualquer limitação na atividade por problemas de saúde foram registadas em Itália (99,2%), seguida pelo Chipre (98,3%) e a Grécia (98,1%).
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A (http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/portugal-com-menor-percentagem-da-ue-de-criancas-com-boa-saude-em-2017?utm_source=NL_NOTICIAS&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_20190211)
Dormimos mais quando estamos doentes. Porquê?
Estudo publicado na revista “Science”
Uma equipa de investigadores descobriu um gene que é responsável pela necessidade maior de dormir quando nos encontramos doentes.
 
O gene, que foi denominado nemuri (significado de dormir em japonês), foi descoberto por uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina Perelman da Universidade da Pensilvânia, EUA, num estudo que incluiu mais de 12.000 linhas de mosca da fruta. 
 
A proteína NEMURI combate os germes com a sua atividade antimicrobiana inerente, e é segregada por células no cérebro para promover um sono prolongado e profundo quando existe infeção.
 
Amita Sehgal, autora sénior deste estudo, explicou que, “embora seja do conhecimento comum o facto de o sono e a recuperação estarem intimamente associados, o nosso estudo liga diretamente o sono ao sistema imunitário e dá uma potencial explicação para o facto de o sono aumentar durante as doenças”.
 
A equipa observou que as moscas da fruta que não expressavam o gene nemuri despertavam mais facilmente durante o sono e aparentavam ter menos necessidade de dormir na sequência de uma infeção ou de privação de sono.
 
Os investigadores observaram também que a privação de sono, a qual faz aumentar a necessidade de dormir e, de alguma forma, o desenvolvimento de infeções, estimulou a expressão do gene nemuri num pequeno grupo de neurónios das moscas que se encontravam perto de uma estrutura do cérebro promotora do sono. 
 
A superexpressão do gene fez aumentar o sono em moscas que tinham sido infetadas com bactérias, o que fez melhorar as suas hipóteses de sobrevivência em relação às moscas de um grupo de controlo que não tinham sido infetadas.
 
Segundo os investigadores, a proteína NEMURI parece reagir a infeções, exterminando as bactérias e aumenta o sono, atuando sobre o cérebro. 
 
A NEMURI é um peptídeo antimicrobiano. Muitas outras moléculas possuem múltiplas funções que ajudam a combater infeções. No entanto, a função de promotora de sono da NEMURI poderá ser também importante para a defesa do seu hospedeiro, pois o aumento do sono com a infeção promoveu a sobrevivência nas moscas. 
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A. (http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/dormimos-mais-quando-estamos-doentes-porque?utm_source=NL_NOTICIAS_DESTAQUES&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_20190211)

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Mais massa muscular na infância pode promover melhor saúde pulmonar em adulto
Estudo publicado na “American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine”
A nossa capacidade pulmonar em adulto poderá depender da quantidade de massa gorda e de massa magra que tenhamos tido na infância, indicou um estudo recente. 
 
O estudo, que foi liderado por uma equipa de investigadores do Instituto de Barcelona para a Saúde Global (ISGlobal), em Espanha, apurou que as raparigas e rapazes com mais massa muscular na infância e adolescência apresentam uma função pulmonar mais elevada. 
 
Segundo ainda os resultados do estudo, os rapazes, mas não as raparigas, com mais massa gorda apresentam uma menor função pulmonar em adultos.
 
Para a sua investigação a equipa fez a distinção entre a massa muscular e a massa gorda na composição corporal de 6.964 crianças do Reino Unido. 
 
Os investigadores mediram ainda a função pulmonar dos pequenos participantes aos oito e aos 15 anos de idade, calculando o desenvolvimento da função pulmonar durante aquele período.
 
Foi apurado que as raparigas e rapazes com mais massa muscular apresentavam índices mais elevados de crescimento pulmonar e de capacidade vital forçada (CVF), que é o volume total de ar exalado com a respiração mais profunda possível; o volume expiratório máximo no primeiro segundo (FEV1), ou seja, a quantidade de ar que se pode exalar de forma forçada num segundo; e o débito expiratório máximo a 25-75% da FVC, que corresponde à velocidade com que o ar sai dos pulmões.
 
Tanto nos rapazes como nas raparigas, um maior índice de massa gorda foi associado a níveis mais reduzidos de FEV1/FVC, que é uma medição da limitação do fluxo de ar usado no diagnóstico da asma e da doença obstrutiva pulmonar crónica. 
 
Nos rapazes apenas, uma maior massa gorda foi associada a níveis inferiores de crescimento pulmonar e de FEV1 e FEF25-75.
 
“Os nossos resultados realçam que a composição corporal, e não só a massa corporal em geral, deveriam ser avaliados quando se estuda os efeitos do peso nas crianças sobre a saúde”, comentou Gabriela Peralta, autora principal do estudo.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A. (http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/mais-massa-muscular-na-infancia-pode-promover-melhor-saude-pulmonar-em-adulto?utm_source=NL_NOTICIAS&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_20190129)