terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Consumo de fibras diminui risco de cancro da mama
Estudo publicado na revista “Pediatrics”


As mulheres que consomem elevadas quantidades de fibras, especialmente frutas e vegetais, durante a adolescência e a idade adulta jovem, apresentam um menor risco de desenvolver cancro da mama, comparativamente com aquelas que não comem tantas fibras, defende um estudo publicado na revista “Pediatrics”.
 
Até à data, poucos foram os estudos que analisaram o efeito do consumo de fibras no desenvolvimento do cancro da mama, e nenhuma avaliou o efeito da dieta durante a adolescência e início da idade adulta, um período em que o risco do cancro da mama é particularmente importante.
 
Para o estudo os investigadores da Universidade de Harvard, nos EUA, contaram com a participação de um total de 90.534 mulheres. Em 1991, mulheres, com idades compreendidas entre os 27 e os 44 anos, preencheram questionários sobre o consumo de alimentos e posteriormente a cada quatro anos.
 
Em 1998, as participantes também preencheram um questionário relativo ao consumo de alimentos na escola secundária. Os investigadores analisaram o consumo de fibras das participantes tendo tido em conta fatores como raça, antecedentes familiares de cancro, índice de massa corporal, variações de peso ao longo do tempo, história menstrual, consumo de álcool, e outros fatores dietéticos.
 
O estudo apurou que o risco de cancro foi 12 a 19% menor para as mulheres que consumiram mais fibra durante o início da idade adulta. Um consumo elevado de fibras na adolescência também foi associado a um risco 16% menor de cancro da mama em geral e um risco 24% de cancro da mama após a menopausa.
 
Os investigadores constataram que houve, entre todas as participantes, uma forte associação inversa entre o consumo de fibra e a incidência de cancro da mama. Por cada ingestão adicional de 10 gramas de fibras diárias, o equivalente a uma maçã e duas fatias de pão integral, ou metade de uma chávena de feijão cozido e couve-flor, durante o início da idade adulta o risco de cancro diminuía 13%. O maior benéfico foi proveniente do consumo de fibras presentes nas frutas e vegetais.
 
Os autores do estudo especulam que um maior consumo de fibras pode diminuir, em parte, o risco de cancro da mama ao ajudar a reduzir os níveis de estrogénio no sangue, que estão associados ao desenvolvimento do cancro da mama.
 
Vários estudos têm indicado que o tecido mamário é particularmente influenciado por carcinogéneos e anticarcinogéneos durante a infância e adolescência. “Agora temos evidências de que os alimentos que fornecemos às nossas filhas durante este período é também um fator importante no risco futuro de cancro”, conclui, um dos autores do estudo, Walter Willett.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A. (http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/consumo-de-fibras-diminui-risco-de-cancro-da-mama?utm_source=NL_NOTICIAS&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_20160208)
Horários irregulares de sono afetam saúde metabólica das mulheres
Estudo publicado na revista “Sleep”


As alterações frequentes no horário do sono podem afetar negativamente a saúde metabólica das mulheres de meia-idade que não trabalham por turnos, defende um estudo publicado na revista “Sleep”.
 
Para o estudo os investigadores da Universidade de Pitsburgo, nos EUA, contaram com a participação de 370 mulheres com idades compreendidas entre os 48 e os 58 anos que não trabalhavam por turnos. Com base em relatórios diários da hora de dormir das participantes, os investigadores calcularam, a hora média, variabilidade, atraso e antecipação da hora de deitar. O índice de massa corporal (IMC) e a resistência à insulina foram avaliados no início do estudo e, em média, após cinco anos.
 
O estudo apurou que uma maior variabilidade e atraso na hora de deitar estavam associados a uma maior resistência à insulina. Por outro lado, uma maior antecipação na hora de deitar foi associado a um maior IMC. Os investigadores, liderados por Martica Hall, verificaram que permanecer acordado durante mais de duas horas que o habitual também estava associado a um risco do aumento da insulina, cinco anos mais tarde.
 
As associações transversais e prospetivas entre estas medidas apenas foram significativas quando os dias de semana bem como os fins-de-semana foram incluídos na análise, o que sugere que grandes desvios na hora de dormir entre os dias de trabalho e fim-semana afetaram a regulação da glicose.
 
"Os resultados são importantes porque o risco da diabetes aumenta nas mulheres de meia-idade. O nosso estudo sugere que os horários irregulares de sono podem ser um fator importante. A boa notícia é que o tempo de sono é um comportamento modificável”, revelou, em comunicado de imprensa, a investigadora.
 
Os investigadores verificaram que a saúde metabólica era melhor nas mulheres que tinham horários de sono mais regulares, tanto à semana como ao fim-semana.
 
De acordo com os autores, os horários irregulares de sono expõem o corpo a diferentes níveis de luz, que é o sinal de temporização mais importante para o relógio circadiano do corpo. Ao interromper o ritmo circadiano, a variabilidade das horas de deitar pode prejudicar o metabolismo da glicose e equilíbrio energético.
 
Os investigadores sugerem que estudos futuros deverão analisar os mecanismos potencialmente envolvidos nesta associação, incluindo a melatonina, bem como outras hormonas relevantes para a saúde metabólica e sensíveis a alterações do relógio circadiano, incluindo a leptina, a grelina e o cortisol.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A.(http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/horarios-irregulares-de-sono-afetam-saude-metabolica-das-mulheres?utm_source=NL_NOTICIAS&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_20160208)
Retinoblastoma é o tumor ocular mais comum em crianças
Dia Mundial de Luta contra o Cancro


O retinoblastoma é um tumor ocular maligno que tem origem nas células imaturas da retina cujo diagnóstico e tratamento atempados são essencial, lembra a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia no dia em que se assinala o Dia Mundial de Luta contra o Cancro.
 
“Quando é tratado numa fase em que ainda está confinado ao globo ocular, a taxa de sobrevivência é superior a 95%, mas cai de forma abrupta quando o tumor invade estruturas à volta do olho (órbita) ou desenvolve metástases à distância, podendo levar à morte”, explicou Guilherme Castela, oftalmologista da SPO.
 
De acordo com o comunicado de imprensa enviado à ALERT, o diagnóstico atempado deste tipo de tumor também é importante porque pode evitar a necessidade de retirar o olho e permitir que as crianças não percam a visão completamente.
 
Em 90% dos casos o tumor manifesta-se antes dos 5 anos, sendo a idade média de diagnóstico os 12 meses nos casos bilaterais e 24 meses nos unilaterais. Este tipo de tumor afeta mais frequentemente um olho - unilateral - (75% dos casos), mas também pode ser bilateral e até trilateral, se chegar à região cerebral da glândula pineal.
 
Os retinoblastomas podem ser hereditários sendo por isso importante o estudo genético das famílias, refere o médico.
 
A principal manifestação clínica deste tumor é a Leucocória (pupila branca) que ocorre em 60% dos casos. O oftalmologista explica que “o tumor cresce dentro do olho e apresenta um reflexo branco que se vê pela pupila. Este reflexo também pode aparecer nas fotografias com flash, deixando de aparecer o típico «olho vermelho». Nestes casos chama-se fotoleucocória”.
 
A pesquisa do reflexo vermelho é a forma mais eficaz para diagnosticar precocemente este tumor. Guilherme Castela aconselha que esta pesquisa seja realizada por todos os pediatras e oftalmologistas. “Todas as crianças devem ser rastreadas desde que nascem e pelo menos até aos 5 anos de idade”, diz Guilherme Castela.
 
Outra forma de apresentação menos frequente é o estrabismo convergente (desvio do olho para dentro) que pode ocorrer em 20 por cento dos casos.
 
O tratamento do retinoblastoma pode ser sistémico (quimioterapia e radioterapia), mas cada vez mais, com a evolução dos tratamentos, se utilizam tratamentos locais no olho.
 
No nosso país registam-se cerca de 10 novos casos por ano de retinoblastoma, cuja incidência ronda 1/18.000 crianças. Este tumor representa 3% de todos os tumores em crianças até aos 15 anos de idade e não apresenta predileção por género ou raça.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A.(http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/retinoblastoma-e-o-tumor-ocular-mais-comum-em-criancas?utm_source=NL_NOTICIAS&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_20160208)
Inflamação afeta centro de recompensa do cérebro
Estudo publicado na revista “Biological Psychiatry”


O centro de recompensa do cérebro, o corpo estriado, pode ser diretamente afetado pela inflamação e estas alterações estão associadas com o aparecimento de comportamentos de doença, sugere um estudo publicado na revista “Biological Psychiatry”.
 
A inflamação aumenta o risco de depressão. Mais especificamente a inflamação induz alterações de comportamento similares à depressão que estão frequentemente associados à doença, incluindo fadiga, dificuldade de concentração, falta de motivação e redução do prazer.
 
Para o estudo os investigadores da Universidade de Sussex, no Reino Unido, recrutaram 23 pacientes com hepatite C que começaram um tratamento com interferon-alfa (INF-a). Este tratamento provoca uma resposta inflamatória imediata, a qual foi confirmada pela medição de determinadas proteínas (citoquinas) no sangue.
 
Quatro horas após o início do tratamento, os participantes foram submetidos a um exame imagiológico específico, que demonstrou que haviam alterações microestruturais no corpo estriado. Estes resultados sugerem que o corpo estriado é altamente sensível ao INF-a.
 
O tratamento com INF-a também induziu fadiga e depressão nos pacientes, particularmente entre a quarta e a décima segunda semana de tratamento. Curiosamente, a alteração estrutural inicial do corpo estriado previu o aparecimento posterior de fadiga, mas não de depressão.
 
As alterações no corpo estriado foram heterogéneas com algumas alterações associadas ao risco de fadiga, enquanto outras alterações pareciam proteger contra o desenvolvimento da fadiga.
 
“A inflamação associada à fadiga e depressão são grandes problemas clínicos. Este estudo dá conta que as regiões do cérebro envolvidas na recompensa e motivação estão diretamente alteradas pela inflamação, de uma forma que pode predispor ou proteger contra o desenvolvimento da fadiga, mas não da depressão. A resposta heterogénea do corpo estriado sugere que a fadiga e humor são suportados por diferentes microcircuitos dentro do corpo estriado”, revelou, em comunicado de imprensa, o diretor da revista onde o estudo foi publicado, John Krystal.
 
Na opinião de um dos autores do estudo, Neil Harrison, estes resultados são importantes uma vez que mostram que uma simples ressonância magnética pode ser utilizada para medir os efeitos da inflamação no cérebro.
 
“A inflamação está cada vez mais envolvida na causa de doenças mentais comuns, particularmente na depressão. Esta técnica pode ser uma forma de identificar os pacientes que são mais sensíveis aos efeitos da inflamação no cérebro. Esta também pode ser utilizada para monitorizar a resposta a novas terapias anti-inflamatórias que estão atualmente a ser testados na depressão”, conclui o investigador.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A. (http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/inflamacao-afeta-centro-de-recompensa-do-cerebro?utm_source=NL_NOTICIAS&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_20160208)
Altura influencia risco de doença cardiovascular, diabetes e cancro
Estudo publicado na revista “The Lancet Diabetes & Endocrinology”


Os indivíduos altos têm um menor risco de desenvolver doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2, mas um maior risco de cancro. O estudo publicado na revista “The Lancet Diabetes & Endocrinology” revela quais os fatores dietéticos e outros mecanismos que podem estar na base destas associações.
 
A altura é em grande parte determinada por fatores genéticos, mas nas últimas décadas a altura das crianças e dos adultos tem aumentado de forma constante em todo o mundo. Na idade adulta as crianças são quase sempre significativamente mais altas que os pais.
 
Estas observações levaram os investigadores da Universidade de Tübingen, em colaboração com outros institutos alemães, bem como com a Escola de Medicina de Harvard e da Escola de Boston, ambas nos EUA, a analisarem as causas e os efeitos médicos deste aumento da altura.
 
O estudo, liderado por Norbert Stefan e Hans-Ulrich Häring, demonstrou que a altura tem um impacto importante na mortalidade de determinadas doenças comuns, independentemente da massa de gordura corporal e outros fatores modeladores.
 
Estudos anteriores já tinham demonstrado que, comparativamente com os indivíduos baixos, os mais altos apresentavam um menor risco de doença cardiovascular, diabetes tipo 2, mas um maior risco de cancro. Dados epidemiológicos demonstram que por cada 6,5 centímetros adicionais o risco de mortalidade cardiovascular diminui em seis por cento, mas a mortalidade por cancro aumenta quatro por cento.
 
Na opinião dos autores do estudo, o aumento da altura é um marcador do consumo excessivo de alimentos altamente calóricos ricos em proteínas animais durante as diferentes fases de crescimento. Ainda no útero, é possível que ocorra uma programação que se repercute por toda a vida e que até à data tinha sido associada ao fator de crescimento semelhante a insulina tipo 1 e 2 e ao sistema IGF-1/2. A ativação deste sistema pode tornar o organismo mais sensível à ação da insulina, influenciando positivamente o metabolismo lipídico.
 
Os investigadores constataram que os indivíduos mais altos são mais sensíveis à insulina e têm níveis mais baixos de gordura no fígado, o que poderá explicar por que motivo têm um risco de doença cardiovascular e de diabetes tipo 2 baixo.
 
Estes resultados vão de encontro aos já anteriormente publicados que sugerem que os indivíduos altos apresentam uma proteção relativa contra doenças do metabolismo dos lípidos. Contudo, a ativação do sistema IGF-1/2 e de outras vias sinalizadoras podem estar associadas ao risco de determinados cancros especialmente, cancro da mama, cólon e melanoma porque o crescimento celular é permanentemente ativado.
 
Na opinião dos autores do estudo, os médicos devem estar mais conscientes do fato de as pessoas altas, apesar de serem menos frequentemente afetadas pela doença cardiovascular ou diabetes tipo 2, terem um maior risco de cancro aumentado. Até à data, a importância da dieta tem sido subestimada, especialmente durante a gravidez, nas crianças e adolescentes.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A.(http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/altura-influencia-risco-de-doenca-cardiovascular-diabetes-e-cancro?utm_source=NL_NOTICIAS&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_20160208)
Tumores: apenas uma pequena minoria das células contribui para o crescimento
Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”


Investigadores suecos demonstraram que uma pequena minoria de células nos tumores neuroendócrinos do pâncreas contribui para o crescimento e metastização do tumor, dá conta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”
 
O cancro aparece quando as mutações e outras alterações genéticas “desligam” o sistema de controlo do crescimento que habitualmente está presente nas células. Acreditava-se que todas as células cancerígenas de um tumor tinham o mesmo potencial para crescerem e metastizarem. Contudo, estudos recentes demonstraram que os tumores são compostos por vários tipos de células cancerígenas com diferentes alterações genéticas.
 
De acordo com o líder do estudo, Kristian Pietras, o facto de existirem tantos tipos diferentes de células num único tumor pode explicar por que motivo apenas algumas células são capazes de metastizar, e porque alguns pacientes sofrem recidivas apesar de serem expostos a tratamentos prolongados.
 
Tumores neuroendócrinos é um nome genérico dado a um tipo de tumor que são produtores de hormonas. No estudo os investigadores do Instituto de Karolinska e da Universidade de Lund, na Suécia, verificaram que nos tumores neuroendócrinos do pâncreas, uma pequena minoria de células contribui significativamente para o crescimento do tumor.
 
“Estas células representam menos de um por cento do total das células do tumor, essencialmente controlam a capacidade do tumor crescer e de metastizar”, revelou, em comunicado de imprensa, uma outra autora do estudo, Eliane Cortez.
 
A PDGFD é um tipo de proteína secretada pelos vasos sanguíneos do tumor que envia sinais para o recetor, o PDGFRβ, que se encontra localizado na superfície de uma pequena percentagem de células cancerígenas. Por sua vez, esta minoria de células cancerígenas secretam fatores de crescimento para outras células no tumor, o que resulta no crescimento de todo o tumor.
 
Através de estudos realizados em animais, os investigadores desativaram a PDGFD, o que fez com que o crescimento de todo o tumor diminuísse significativamente, apesar desta medida apenas ter tido um impacto direto numa percentagem muito pequena de células tumorais. A sinalização da PDGFD via o PDGFRβ já tinha sido descrita noutros tecidos e tumores, mas nunca neste tipo de cancro.
 
Esta descoberta é muito importante uma vez que aumenta a compreensão de como um tumor é composto por diferentes tipos de células cancerígenas com diferentes funções. De forma a compreender o nível de agressividade de um tumor, é importante descrever com precisão a sua estrutura, bem como a existência de pequenas populações de células cancerígenas que podem ter um grande impacto no crescimento global do tumor.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A. (http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/tumores-apenas-uma-pequena-minoria-das-celulas-contribui-para-o-crescimento?utm_source=NL_NOTICIAS&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_20160208)
Dor crónica altera sistema imunológico
Estudo publicado na revista “Scientific Reports”


A dor crónica pode alterar o sistema imunológico através da reprogramação do funcionamento dos genes, sugere um estudo publicado na revista “Scientific Reports”.
 
A dor é considerada crónica quando perdura há mais de seis meses. Este tipo de dor é uma das causas mais comuns de incapacidade a nível mundial, podendo os seus efeitos físicos e emocionais terem um grande impacto na qualidade de vida dos indivíduos afetados. Atualmente não existem tratamentos eficazes contra a dor crónica, nem se consegue saber quem vai desenvolver este tipo de dor após uma lesão.
 
A lesão do nervo periférico tem sido associada a alterações funcionais e persistentes no cérebro. Vários tipos de dor crónica têm sido associadas a alterações no córtex pré-frontal, uma região cerebral que desempenha um papel importante nos aspetos sensorias e emocionais da dor crónica. O córtex pré-frontal tem também sido associado a condições que acompanham a dor crónica como ansiedade, depressão e problemas cognitivos.
 
Estudos anteriores realizados em ratinhos também já tinham sugerido que os défices cognitivos e emocionais podem persistir vários meses após danos nervosos. Contudo, ainda não se tinha descoberto como estes efeitos prolongados das lesões contribuíam para a dor crónica.
 
Neste estudo os investigadores da Universidade de McGill, no Canadá, decidiram estudar o ADN dos cérebros e dos leucócitos de ratinhos de forma a averiguar uma possível ligação entre a dor crónica e o ADN, ou mecanismos epigenéticos no cérebro.
 
O estudo utilizou um método que mapeou a marcação do ADN através de grupos metilo. “A marcação com grupos metilo é importante para regular a forma como estes genes funcionam”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo Laura Stone. Este tipo de marcação química faz parte de uma área crescente da epigenética, que envolve modificações que ativam e desativam os genes, reprogramando eficazmente o seu modo de funcionamento.
 
Os investigadores apuraram que um grande número de genes, entre centenas a milhares, estavam marcados com a dor crónica. Verificou-se ainda que a dor crónica alterava a marcação do ADN no cérebro e nos linfócitos T, um tipo de leucócitos que desempenha um papel muito importante na imunidade.
 
“Agora podemos considerar as implicações que a dor crónica pode ter noutros sistemas do organismo que não estavam, habitualmente, associados à dor. Estes achados chamam a atenção para o impacto devastador da dor crónica nas outras partes do organismo, como é o caso do sistema imunológico”, referiu, um outro autor do estudo, Moshe Szyf.
 
Os investigadores esperam que estes achados possam conduzir a novas formas de diagnóstico e tratamento da dor crónica nos humanos, uma vez que alguns dos genes marcados pela dor crónica podem se tornar alvos de medicamentos para a dor.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A. (http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/dor-cronica-altera-sistema-imunologico?utm_source=NL_NOTICIAS_DESTAQUES&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_201602089)