sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Obesidade aumenta risco de asma
Estudo publicado na revista “Plos Medicine”


O aumento do risco de desenvolvimento de asma que ocorreu nos finais do século XX pode, em parte, ser resultante do aumento do índice de massa corporal (IMC) na infância, sugere um estudo publicado na revista “PLOS Medicine”.
 
A incidência deste tipo de doença crónica, causada pela inflamação das vias respiratórias, tem aumentado durante as últimas décadas. Estima-se que 200 milhões de adultos e crianças sejam afetadas pela asma, em todo o mundo.
 
Apesar das causas da asma ainda não serem conhecidas, alguns especialistas acreditam que a obesidade pode ser uma delas. Na verdade, tal como a asma, a obesidade é também cada vez mais comum. Estudos observacionais realizados em crianças demonstraram que o IMC está positivamente associado à asma. Contudo, este tipo de estudo não foi capaz de provar que a obesidade causa a asma.
 
Assim, de forma a tentar provar se o IMC tem um efeito casual na asma, uma equipa internacional de investigadores utilizou um método que inclui informação genética e dados observacionais. Neste tipo de estudo Mendeliano a causalidade pode ser aferida através das associações entre as variantes genéticas que se sabem que afetam um fator modificável de risco, como é o caso da massa corporal, e a doença em questão, neste caso a asma nas crianças.
 
Neste estudo, liderado pelos investigadores da Universidade de Bristol, no Reino Unido, foram analisados os efeitos casuais do IMC, massa gorda e magra no desenvolvimento da asma em 4.835 crianças que tinham em média  7,5 anos de idade. Foi calculada a pontuação genética ponderada baseada em 32 variações na sequência de ADN associadas ao IMC, tendo sido também estimadas as associações com IMC, massa gorda e magra, e asma.
 
O estudo apurou que a pontuação genética estava mais fortemente associada ao IMC, massa gorda e magra e com a asma na infância. Na verdade o risco relativo de desenvolvimento de asma aumentava 55% por cada unidade a mais de IMC.
 
Estes resultados sugerem que um IMC mais elevado aumenta o risco de desenvolvimento de asma na infância. Assim as intervenções de saúde pública que tenham por alvo a redução da obesidade podem também ajudar a limitar o aumento global da asma.
 
Apesar de algumas das reconhecidas limitações do estudo, os investigadores concluem que “apesar de as influências ambientais sobre o desenvolvimento de asma na infância terem já sido amplamente investigadas noutros estudos, poucos foram aqueles que forneceram uma evidência casual tão demarcada”.
 
Fonte - http://www2.alert-online.com/pt/news/health-portal/obesidade-aumenta-risco-de-asma
Asma infantil e a partilha da cama com os pais
Estudo publicado no “European Respiratory Journal”


As crianças pequenas que partilham a cama com os pais apresentam um risco aumentado de desenvolver asma, dá conta um estudo publicado no “European Respiratory Journal”.
 
Para o estudo, os investigadores holandeses contaram com a participação de 6.160 mães e filhos. Anualmente, foram recolhidas informações sobre os sintomas de asma das crianças, desde o primeiro ano até aos seis anos. Os pais foram também submetidos a questionários para recolha dos padrões do sono das crianças desde os dois aos 24 meses.
 
O estudo apurou que as crianças que, aos dois meses, partilham a cama com os pais, não apresentavam um risco aumentado de terem pieira ao longo dos seus primeiros anos de vida ou serem diagnosticadas com asma. Contudo, a partilha da cama aos 24 meses aumentava o risco das crianças terem pieira entre os três e os seis anos e serem diagnosticadas com asma aos seis anos.
 
De acordo com a investigadora da Universidade de Roterdão, na Holanda, Maartje Luijk, estes resultados mostram que há uma associação entre as crianças que partilham a cama com os pais aos dois anos de idade e o desenvolvimento de pieira e asma mais tarde na infância.
 
Os investigadores colocaram no entanto a hipótese de estes resultados poderem sugerir que a partilha da cama poderia ser a consequência e não a causa da asma, uma vez que os pais poderiam decidir partilhar a cama com os seus filhos para conseguir monitorizar os sintomas de asma. Contudo, esta hipótese não foi confirmada, uma vez que as crianças com pieira não apresentavam, comparativamente com aquelas que não apresentavam este sintoma, uma maior tendência para partilhar a cama com os pais.
 
“Apesar de estes resultados sugerirem que a partilha de cama aumenta de alguma forma o risco de asma, o estudo não fornece uma evidência causal. Podem existir vários fatores envolvidos. As famílias que partilham a cama podem ter mais tendência para reportar a pieira dos filhos uma vez que estão mais atentas à respiração da criança”, referiu a investigadora.
 
“Alternativamente, as famílias podem encarar a pieira como um problema e algo que possa conduzir a problemas de sono, o que pode, por sua vez, levar à partilha da cama para melhor monitorizar estes problemas, acrescentou Maartje Luijk.
 
Assim, na opinião da investigadora, são necessários mais estudos para identificar quais os fatores que podem ter impacto no desenvolvimento de asma através da partilha da cama.
 
Fonte - http://www2.alert-online.com/pt/news/health-portal/asma-infantil-e-a-partilha-da-cama-com-os-pais

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

"Esclerose Múltipla na primeira pessoa" disponível em http://www.pluralesingular.pt/index.php/revista
A "doença dos pezinhos" em http://www.pluralesingular.pt/index.php/revista
Medo da mãe passa para filho através do odor
Estudo publicado na “Proceedings of the National Academy of Sciences”

Os medos das mães são transferidos para os filhos através de odores que libertam quando experimentam essa sensação, descobriu uma equipa de investigadores.

A equipa da Univesity of Michigan Medical School e da New York University, ambas nos EUA, baseou-se no estudo de mães ratos e crias para tentar perceber como é que o medo ou uma experiência traumática são transmitidos da mãe para o filho mesmo quando o evento ocorre durante o período de gestação.

A descoberta da equipa ajudou os investigadores a identificarem a área do cérebro específica onde a transmissão do medo se aloja durante os primeiros dias de vida, o que pode levar a uma melhor compreensão do facto de nem todos os filhos com mães que tenham passado por experiências traumáticas experienciarem os mesmos efeitos.

A equipa concentrou-se numa estrutura cerebral denominada amígdala cerebral, através da utilização de imagiologia do cérebro, de estudos de atividade genética em células cerebrais isoladas e do estudo do cortisol no sangue.

Para o estudo, os investigadores ensinaram ratos fêmea não prenhas a terem medo do odor da hortelã-pimenta, dando-lhes choques elétricos suaves sempre que sentiam o aroma.

Após terem dado à luz, os investigadores apresentaram o odor da hortelã-pimenta aos animais mas sem os choques elétricos para lhes provocarem medo. Havia um grupo de controlo que não tinha medo do cheiro da hortelã-pimenta. A equipa expôs o odor a crias de ambos os grupos, tanto com as mães por perto como afastadas.

Os ratinhos bebé aprenderam o medo das mães através dos odores que estas emitiam ao serem expostas ao medo. O mesmo medo foi provocado nos bebés ao ser-lhes apresentado o cheiro da mãe ausente ao reagir ao odor da hortelã-pimenta.

No entanto, quando os investigadores apresentaram aos bebés ratos uma substância que bloqueava a atividade da amígdala, estes já não foram capazes de aprender o medo à hortelã-pimenta a partir das mães.

“O nosso estudo demonstra que as crianças pequenas podem aprender a partir da expressão materna do medo, num estado muito inicial da sua vida. Antes de poderem mesmo passar pelas suas próprias experiências, adquirem basicamente as experiências das mães. O mais importante é que essas memórias transmitidas pela mãe são de longa duração, ao passo que outros tipos de aprendizagem na primeira infância, se não forem repetidas, desaparecem rapidamente”, comenta Jacek Debiec, neurocientista e psiquiatra na University of Michigan.

Nos humanos, tem sido observado que o trauma emocional passa de geração em geração, como é o caso dos descendentes dos sobreviventes do holocausto. O facto de o medo patológico poder ser socialmente transmitido às crianças passa a ser alvo de preocupação clínica.

Embora não se saiba ainda se esta descoberta se aplica a humanos, é já sabido que o odor da mãe pode acalmar um bebé.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A. (http://www2.alert-online.com/pt/news/health-portal/medo-da-mae-passa-para-filho-atraves-do-odor?utm_source=NL_NOTICIAS&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_20140901)
O cérebro faminto da infância
Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”


O cérebro de uma criança de cinco anos utiliza o dobro de glucose que o cérebro de um adulto, dá conta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 
O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Northwestern, nos EUA, ajuda a resolver um antigo mistério, ou seja, qual a razão de as crianças crescerem tão lentamente comparativamente com os outros mamíferos.
 
Os investigadores constataram que a energia canalizada para o cérebro domina o metabolismo humano nas suas etapas iniciais e esta pode ser a razão pela qual os humanos crescem, durante a infância, a um ritmo mais parecido com um reptil do que com um mamífero.
 
“Os nossos resultados sugerem que o corpo não pode crescer mais rapidamente durante a infância pois é necessária uma grande quantidade de energia para o desenvolvimento cerebral. Como seres humanos, temos muito a aprender e esta aprendizagem necessita de muita energia”, revelou, em comunicado de imprensa, o primeiro autor do estudo, Christopher Kuzawa.
 
Neste estudo foram utilizados dados de tomografias por emissão de positrões e ressonâncias magnéticas que medem, respetivamente, a absorção de glucose e o volume cerebral para demonstrar que as idades em que o cérebro necessita de uma maior quantidade de energia são as idades em que o crescimento é mais lento. Aos quatro anos de idade, quando o fluxo cerebral atinge o seu pico, o crescimento corporal diminui para o seu mínimo. Durante esta idade, o cérebro utiliza os recursos a uma taxa equivalente a 66% da utilizada pelo organismo em repouso.
 
Os resultados deste estudo apoiam a hipótese de que as crianças crescem tão lentamente e durante tanto tempo pois o organismo necessita de desviar uma grande parte dos seus recursos para o cérebro, deixando consequentemente poucos recursos disponíveis para o crescimento corporal.
 
Anteriormente, acreditava-se que o cérebro necessitava de mais recursos à nascença, uma altura em que o tamanho deste órgão é maior comparativamente com o restante organismo. Contudo, os investigadores constataram que é aos cinco anos de idade que o cérebro necessita de uma maior quantidade de glucose.
 
“Este pico de necessidade energética está associado ao facto de as sinapses, as ligações cerebrais, atingirem o seu máximo nesta idade, quando há uma grande necessidade de aprendizagem de forma a tornar-nos seres humanos de sucesso”, conclui Christopher Kuzawa.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A. (http://www2.alert-online.com/pt/news/health-portal/o-cerebro-faminto-da-infancia?utm_source=NL_NOTICIAS&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_20140901)
Níveis de ácido lácteo podem indicar inicio do envelhecimento cerebral
Estudo publicado na revista “PNAS”


O processo de envelhecimento pode ser controlado, medindo os níveis de ácido láctico presente no cérebro, refere um estudo do Instituto Karolinska, em Estocolmo, Suécia, publicado na edição online da revista “Proceedings of National Academy of Sciences” (PNAS).
 
Estudos anteriores estabeleceram uma associação entre disfunções mitocondriais e doenças neurodegenerativas associadas à idade, como a doença de Alzheimer e Parkinson. Neste estudo, os investigadores utilizaram ratinhos com o envelhecimento normal e prematuro para investigar a relação entre danos ocorridos na mitocôndria – organelo responsável pela produção de energia na célula – e alterações do metabolismo durante o processo de envelhecimento.
 
Os cientistas, liderados por Lars Olson, verificaram que os danos ocorridos nas mitocôndrias aumentavam ligeiramente com a idade dos ratinhos, alterando a expressão de determinados genes que controlam a formação de ácido láctico. Segundo os autores do estudo, essa mudança resulta num maior nível de ácido láctico no cérebro que pode ser detectado através de técnicas de imagem não invasivas. As descobertas também sugerem que os níveis de ácido láctico aumentam antes de outros indicadores do envelhecimento e, na ausência de investigação adicional, poderiam ser usados para detectar doenças associadas à idade do sistema nervoso central.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A. (http://www2.alert-online.com/pt/news/health-portal/niveis-de-acido-lacteo-podem-indicar-inicio-do-envelhecimento-cerebral)