A Intervenção da Fisioterapia e da Terapia da Fala na Doença de Parkinson
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segunda-feira, 14 de abril de 2014
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Lactobacillus reuteri protectis é eficaz na prevenção de infeções respiratórias e gastrointestinais
(7.4.2014)
A revista Pediatrics publicou um estudo que mostra que é possível prevenir infeções respiratórias e gastrointestinais em crianças, através da administração preventiva diária do probiótico Lactobacillus reuteri protectis.
O estudo, que envolveu 336 crianças, entre os 6 meses e os 3 anos
de idade, demonstrou que as crianças saudáveis que frequentam creches
têm um risco significativamente menor de contrair infeções do trato
respiratório ou diarreia, quando lhes é dado um suplemento diário de
Lactobacillus reuteri protectis, de forma preventiva.
Durante três meses, o grupo de crianças que recebeu Lactobacillus
reuteri protectis teve menos 67% de dias com diarreia ou infeções do
trato respiratório, do que o grupo placebo. Quando infetados, os
episódios de doença foram mais curtos do que no grupo placebo (menos um
dia em casos de diarreia e menos três dias em casos de infeção do trato
respiratório).
Durante a pesquisa, registaram-se 69 episódios de diarreia no grupo placebo e 42 no grupo com probiótico. O grupo placebo teve 204 infeções do trato respiratório contra 93 no grupo que tomou L. Reuteri. Além disso, as crianças que tomaram o probiótico tiveram menos dias com febre, tomaram menos antibióticos e faltaram menos à creche. Esta diferença significativa entre os grupos continuou até três meses depois da administração.
As infeções respiratórias e do trato gastrointestinal em crianças têm custos elevados para os pais e para a sociedade, associados à visita recorrente a médicos, urgências, compra de medicação e faltas à creche e ao trabalho. Assim, ao reduzir o número e a duração de episódios de doença, os pesquisadores concluíram que a administração diária de Lactobacillus reuteri protectis permitiu aos pais e à comunidade uma redução significativa de custos.
"Estas conclusões vêem ao encontro de estudos anteriores que
comprovem que o uso preventivo diário de Lactobacillus reuteri protectis
pode ser valioso para as famílias e para a sociedade", referiu em
comunicado Gutiérrez-Castrellón, chefe da Unidade de Investigação
Translacional em Nutrição Pediátrica do Hospital Geral Dr. Manuel Gea
González e professor universitário de Saúde Pública da Faculdade de
Medicina ULSA no México.
Fonte News Farma - http://www.newsfarma.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=1536:lactobacillus-reuteri-protectis-%C3%A9-eficaz-na-preven%C3%A7%C3%A3o-de-infe%C3%A7%C3%B5es-respirat%C3%B3rias-e-gastrointestinais&catid=10:noticias&Itemid=113
Desenvolvido músculo capaz de se regenerar
Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”
Investigadores americanos desenvolveram músculo esquelético que se
assemelha muito a um músculo real, uma vez que se contrai com força,
rapidez e integra-se rapidamente no organismo. O estudo publicado nos
“Proceedings of the National Academy of Sciences” revela ainda que este
músculo tem a capacidade de se regenerar, tanto em meio laboratorial
como no interior do animal.
“O músculo desenvolvido representa um grande avanço, uma vez que é a
primeira vez que se desenvolve um músculo com a força de um músculo
esquelético nativo”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores
do estudo, Nenad Bursac.
Após vários anos, os investigadores da Universidade de Duke, nos EUA,
descobriram que para desenvolver músculos semelhantes aos nativos era
necessário desenvolver fibras musculares contráteis e uma população de
células estaminais conhecidas como células satélite.
Todos os músculos têm células satélite de reserva, prontas para ficarem
ativadas após uma lesão e iniciarem o processo de regeneração. A chave
do sucesso deste estudo passou pela criação de microambientes,
denominados por nichos, onde estas células estavam prontas para ser
ativadas.
“O músculo que desenvolvemos contem nichos para as células satélite se
desenvolverem e, quando necessário, restaurarem a musculatura, bem como a
sua função”, explicou o investigador.
Após terem estimulado os músculos com impulsos elétricos e medirem a
sua força contrátil, os investigadores constataram que este era 10 vezes
mais forte que qualquer músculo desenvolvido até à data. Através da
indução de danos, os autores do estudo provaram também que as células
satélites eram ativadas, multiplicavam-se e curavam com êxito as fibras
celulares danificadas.
Posteriormente, os investigadores inseriram nos músculos criados
laboratorialmente uma pequena câmara e colocaram-nos em ratinhos. Ao
longo de duas semanas foi observado o progresso dos músculos
implantados.
Após terem modificado geneticamente as fibras musculares com uma
molécula fluorescente, os investigadores foram capazes de observar e
medir em tempo real como os vasos sanguíneos cresciam nas fibras
musculares implantadas.
“Será capaz de vascularizar, inervar e reparar a função muscular
danificada. É nisso que vamos trabalhar nos próximos anos”, conclui
Nenad Bursac.
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A. (http://www2.alert-online.com/pt/news/health-portal/desenvolvido-musculo-capaz-de-se-regenerar?utm_source=NL_NOTICIAS&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_20140407)
Cancro e doenças cardiovasculares causam mais de metade das mortes em Portugal
Aliás,
na década estudada, as doenças respiratórias apresentaram um
crescimento continuado no total de óbitos: 8,6% entre 2002 e 2004 e 11%
entre 2005 e 2010.
Mais
de metade das mortes em Portugal são causadas por cancros e por doenças
cardiovasculares, com os tumores malignos a registarem um aumento nos
últimos anos, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
O boletim do INE sobre saúde, divulgado a propósito do Dia Mundial da
Saúde, que hoje se assinala, mostra que, entre 2002 e 2012, os casos de
cancro aumentaram e ultrapassaram os 23% no total das causas de morte.
Só em 2012, morreram uma média de 70 pessoas por dia em Portugal por
tumores malignos e, em 10 anos, a taxa bruta de mortalidade aumentou
14,1%.
Já as doenças do aparelho circulatório representaram no último ano
analisado mais de 30% do total dos óbitos no país. Ainda assim, a taxa
bruta de mortalidade destas doenças diminuiu 21%.
Com peso relevante no total de mortes surgem também as doenças
respiratórias e a diabetes., representando, respetivamente, 13% e 4,5%
dos óbitos totais.
Nestes dois tipos de doenças, Portugal regista uma “situação mais grave do que a observada ao nível da União Europeia a 28”.
Aliás, na década estudada, as doenças respiratórias apresentaram um
crescimento continuado no total de óbitos: 8,6% entre 2002 e 2004 e 11%
entre 2005 e 2010.
Comparativamente, ao nível europeu verificou-se uma estabilização da
proporção destas mortes entre 2002-2010, numa variação entre 7,5% das
mortes e os 8%.
O mesmo boletim do INE mostra que o atendimento em serviço de
urgência quase duplicou numa década nos hospitais privados, que
registaram também um reforço do número de camas de internamento, ao
contrário dos hospitais públicos que perderam três mil camas.
Fonte - Jornal i 07.04.2014 (http://www.ionline.pt/artigos/portugal/cancro-doencas-cardiovasculares-causam-mais-metade-das-mortes-portugal)
terça-feira, 1 de abril de 2014
Todos os anos nascem em Portugal pelo menos mil bebés prematuros com menos de 1500 gramas
Programa criado pela associação XXS pretende criar acções de formação para pais de bebés que nascem antes do fim da gravidez.
Em cada 100 bebés que nascem em Portugal oito nascem prematuros, ou
seja, antes das 37 semanas de gestação, mas dentro destes existe um
grupo de crianças com um maior risco de morte e de sequelas: são os
recém-nascidos de muito baixo peso. Todos os anos nascem cerca de 1000
crianças com peso inferior a 1500 gramas, afirmou Rosalina Barroso,
presidente da secção de Neonatologia da Sociedade Portuguesa de
Pediatria. Os dados foram apresentados esta terça-feira na sessão de
apresentação do projecto CARE (Cuidados de Apoio a Recém-nascidos em
Risco), criado para dar apoio a crianças prematuras e aos seus pais.
Nascem cada vez mais bebés antes do fim da gravidez.
As razões são várias, mas uma delas é o facto de a idade das mães ser
cada vez mais tardia, referiu a directora da unidade de neonatologia da
Maternidade Alfredo da Costa, Teresa Tomé, lembrando que em Portugal a
média da primeira gravidez está já nos 31,5 anos, sendo cada vez mais as
mulheres que têm bebés acima dos 35 anos, idade a partir da qual
aumenta o risco da prematuridade.
Fernando Leal da Costa, o
secretário de Estado Adjunto do ministro da Saúde, admitiu que “há
condições de carácter social” que podem estar a fazer com que as pessoas
adiem cada vez mais a idade de ter filhos, notando “que não há
estímulos suficientes para poder ter filhos mais cedo”. Há também
comportamentos de risco, como o facto de a mãe ser fumadora, ou ter
excesso de peso, sofrer de stress, que aumentam o risco de parto
prematuro.
É assim que 8% a 10% dos bebés que nascem em Portugal são prematuros, disse o governante. E um terço da mortalidade infantil em Portugal acontece nestes bebés.
É assim que 8% a 10% dos bebés que nascem em Portugal são prematuros, disse o governante. E um terço da mortalidade infantil em Portugal acontece nestes bebés.
Os recém-nascidos com idade
gestacional inferior a 32 semanas e com menos de 1500 gramas são os que
apresentam maior risco de morte, são também os que têm maior risco de
distúrbios do desenvolvimento, como atrasos cognitivos, perturbações da
linguagem, paralisia cerebral, dificuldades de coordenação e equilíbrio,
défices visuais e auditivos.
O Registo Nacional do Recém-Nascido
de Muito Baixo Peso, no qual os profissionais assinalam as crianças que
passaram pelas Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais, contabilizou
16.993 crianças nestas condições nascidas entre 1996 e 2012, o que dá
uma média de cerca de mil por ano, disse Rosalina Barroso. O limite da
viabilidade está definido nas 25 semanas e 600 gramas de peso.
A XXS-Associação Portuguesa de Apoio ao Bebé Prematuro
nasceu em 2008 precisamente para dar apoio a estas famílias e foi nesta
associação de pais que nasceu o projecto lançado esta terça-feira. O
CARE receberá verbas do Ministério do Trabalho e da Solidariedade, e
apoio do Ministério da Saúde. Os pormenores práticos sobre o projecto
ainda são poucos mas o que se pretende é criar formações específicas
para pessoal de saúde na prestação de cuidados a bebés prematuros. Outro
dos grandes enfoques do projecto é aumentar os conhecimentos sobre os
pais que têm estes filhos. As dificuldades são várias.
Tudo começa
no hospital. Estes são bebés que, em muitos casos, passarão os seus
primeiros dois a três meses de vida internados numa unidade de cuidados
intensivos de neonatologia, explica Teresa Tomé. Contrariamente aos
bebés de termo, os prematuros não sabem mamar – essa é uma capacidade
que só adquirem às 34 semanas –, mas deve-lhes ser dado leite materno
através de sondas. Ou seja, tem que haver um enorme esforço das mães
para estimular a produção de leite, armazenar, trazer o leite para o
hospital para ser dado ao bebé, refere a médica.
Nos seminários de
formação para pais está previsto serem abordadas questões como as
vantagens do “método canguru” em que é estimulado, desde muito cedo, o
contacto pele a pele entre a mãe e o bebé, uma forma de manterem o calor
como complemento à incubadora, refere a médica, isto se o bebé estiver
estável. Outra das vertentes será a formação no apoio na ida para casa
depois da alta.
Fonte - Público (19.03.2014) - http://www.publico.pt/sociedade/noticia/todos-os-anos-nascem-em-portugal-pelo-menosmil-bebes-com-menos-1500-gramas-1628922
Vitamina A durante a gravidez é essencial para um sistema imunitário saudável nos filhos
Equipa de cientistas liderada por portugueses descobriu que a
ausência total de vitamina A impede a formação normal dos gânglios
linfáticos, peças importantes do sistema imunitário. Artigo é publicado
na revista Nature.
Uma equipa internacional liderada por cientistas portugueses
descobriu que a ausência de vitamina A durante o desenvolvimento
embrionário – neste caso nos ratinhos da experiência – impede a formação
normal dos gânglios linfáticos, peças-chave do sistema imunitário. A
carência de vitamina A na gravidez põe assim em causa a resposta
imunitária. A descoberta, publicada hoje na revista Nature, demonstra como esta vitamina é essencial na alimentação das mulheres, principalmente nos países em desenvolvimento.
Pode-se ir buscar a
vitamina A a muitos alimentos: cenouras, espinafres ou a batatas-doces.
Esta vitamina é necessária para a formação de pigmentos visuais,
regulação das células do sistema imunitário nos intestinos ou para o
desenvolvimento do próprio embrião.
Agora, uma equipa
internacional, com cientistas da Holanda e dos Estados Unidos,
coordenada por Henrique Veiga Fernandes, líder de um grupo no Instituto
de Medicina Molecular de Lisboa, observou que a vitamina A permitia a
maturação das células que, durante o desenvolvimento embrionário dos
ratinhos, vão formar os gânglios linfáticos e as placas de Peyer –
estruturas do sistema linfático situadas nos intestinos, onde têm uma
função imunitária importante.
Os gânglios linfáticos têm entre um a
dois centímetros e estão distribuídos em locais como as virilhas, as
axilas ou na região da garganta. Dentro dos gânglios alojam-se os
linfócitos, especializados no combate de bactérias ou vírus. Outras
células do sistema imunitário têm a função de levar até aos gânglios
pedaços dos organismos patogénicos que infectam o corpo: uma vez aí,
mostram estes pedaços ao maior número possível de linfócitos, até
encontrarem o linfócito que naturalmente é mais adequado para combater
aquele organismo.
Quando isso acontece, inicia-se uma resposta
imunitária, que pode desencadear o inchaço do gânglio. Se os linfócitos
estivessem espalhados pelo corpo, aquela célula imunitária que leva o
pedaço do agente patogénico teria muita dificuldade em encontrar o
linfócito especializado.
Abelhas operárias
Os gânglios formam-se durante o desenvolvimento embrionário, graças a um tipo de células do sistema imunitário – as células indutoras do tecido linfático. Saindo do fígado do feto, estas células viajam pelo sangue até que, em determinados locais do corpo, saltam dos vasos para formar os gânglios linfáticos.
Os gânglios formam-se durante o desenvolvimento embrionário, graças a um tipo de células do sistema imunitário – as células indutoras do tecido linfático. Saindo do fígado do feto, estas células viajam pelo sangue até que, em determinados locais do corpo, saltam dos vasos para formar os gânglios linfáticos.
“Estas
células funcionam como abelhas operárias”, explica Henrique Veiga
Fernandes ao PÚBLICO. “Quando saem do sangue, formam pequenos
agregadores de células e estão sempre em movimento.”
Nesses
locais, as células indutoras do tecido linfático sofrem um passo final
de maturação. Depois, provocam alterações nas células do tecido
conjuntivo e são estas que vão formar “os andaimes” dos gânglios
linfáticos. Quando esses “andaimes” ficam construídos, os linfócitos vão
habitá-los.
A equipa de
Henrique Veiga Fernandes tentou descobrir o que desencadeava a maturação
final das células indutoras do tecido linfático. Com testes, primeiro in vitro e depois in vivo,
os cientistas chegaram à conclusão de que era necessária a presença de
ácido retinóico (um composto que o corpo produz a partir da vitamina A).
“A metabolização da vitamina A faz com que as células se diferenciem.
Este foi o nosso ponto de partida”, diz o cientista.
Depois,
quiseram encontrar o mecanismo celular que originava esta transição. Já
se sabia que nas células indutoras do tecido linfático existem
moléculas capazes de receber o ácido retinóico. Agora, a equipa
descobriu que esse receptor é responsável por activar um gene no núcleo
dessas células e esse gene activa, por sua vez, muitos outros genes que
desencadeiam a maturação destas células. A partir daí estão prontas para
pôr as células do tecido conjuntivo em acção.
Fonte - Publico (19.03.2014) http://www.publico.pt/ciencia/noticia/vitamina-a-durante-a-gravidez-e-essencial-para-um-sistema-imunitario-saudavel-nos-filhos-1628953#/0
segunda-feira, 31 de março de 2014
O que os médicos não sabem e deviam conhecer sobre Parkinson
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/o-que-os-medicos-nao-sabem-e-deviam-conhecer-sobre-parkinson=f862770#ixzz2xXsUQMSu
Quando o cardeal Jean-Louis Tauran se dirigiu à
multidão na Praça de São Pedro para anunciar o novo Papa, Francisco, a
emoção do momento deixou para segundo plano um pormenor, que não escapou
ao olhar dos especialistas: os estranhos movimentos de cabeça do
cardeal, acompanhados de algumas expressões pouco naturais. Tauran sofre
de Parkinson, algo facilmente identificável a olho nu pelos médicos
habituados a reconhecer os sintomas da doença e os efeitos da medicação
administrada nestes casos.
A doença de Parkinson é, afirma o neurologista Joaquim
Ferreira, a mais mediática das que integram o "subcapítulo das
patologias neurológicas designado por doenças do movimento", um grupo
que abrange várias perturbações, algumas quase tão desconhecidas quanto
desvalorizadas. O tema vai estar em debate nos próximos dias, com a
realização do Congresso Nacional de Doenças do Movimento, encontro que
arranca esta sexta-feira no Vimeiro e termina no domingo.
O tremor e a síndrome das pernas inquietas são as
doenças do movimento mais prevalentes, refere Joaquim Ferreira. Esta
última patologia, acrescenta, "está claramente subdiagnosticada em
Portugal, pelo que os pacientes "acabam por ser encaminhados para
especialidades que nada têm que ver com o problema", erradamente
atribuído a causas tão díspares como "hérnias, varizes ou fibromialgia".
Se o tremor é identificado por movimentos produzidos
por contrações incontroláveis e involuntárias dos músculos (e não
significa necessariamente Parkinson, como os pacientes temem ao sofrer
os primeiros sintomas), a síndrome das pernas inquietas caracteriza-se
por um desconforto nos membros inferiores quando em repouso, muitas
vezes com queixas de dor, o que "obriga" os doentes a mexer as pernas
com frequência.
"São as pessoas que no cinema cruzam constantemente as
pernas ou aquelas que nos aviões não conseguem estar sentadas e
circulam de um lado para o outro", explica o neurologista. "Aparece nos
adultos, com intensidade variável e na maioria das vezes com sintomas
ligeiros, mas que se vão intensificando ao longo do tempo e com o
avançar da idade". Dados oficiais sobre a incidência da doença em
Portugal "não existem", mas Joaquim Ferreira acredita que estarão
próximo das médias de Espanha ou França, onde esta síndrome afeta 10% da
população.
Ao contrário de outras áreas na saúde, o panorama da
investigação e as expectativas quanto a novas terapias, mais eficazes,
não é animador no que às doenças neurodegenerativas diz respeito, admite
Joaquim Ferreira. "Tem havido muitos falhanços", refere o neurologista,
"a que se soma a própria crise no sector da indústria farmacêutica".
Ainda assim, há uma evolução considerável nos últimos
dez anos ao nível do tratamento de Parkinson: "Conhecemos melhor as
terapias, o que nos permite usá-las também melhor, na melhor sequência e
com as doses mais adequadas. E são inegáveis os resultados da cirurgia
de estimulação cerebral profunda, sobre a qual fui bastante
cético no início".
Os dados do estudo epidemiológico de avaliação da
prevalência da doença de Parkinson, que o congresso apresentará e que
revelou existirem 13 mil doentes, abre um novo capítulo. "Prepara-nos
para ajudar as entidades competentes a fazer o melhor uso dos recursos" e
devolve aos médicos o país real nesta matéria.
"Acreditava-se que Portugal teria uma maior prevalência
da doença, o que não se confirmou, embora seja agora necessário avaliar
a metodologia seguida, pois os dados podem significar que há muitos
doentes institucionalizados e que ficaram de fora das informações
recolhidas", conclui Joaquim Ferreira.
Ouvir os doentes é outra forma de perceber a doença,
diz o neurologista, razão pela qual o advogado Paulo Teixeira Pinto
acedeu a dar no Congresso o seu testemunho como paciente. Falará sobre
"aquilo que os médicos não sabem e deviam conhecer sobre Parkinson".
Cirurgia de estimulação cerebral profunda
A cirurgia de estimulação
cerebral profunda (conhecida também por DBS - do inglês Deep Brain
Stimulation) é uma terapia usada para melhorar os sintomas da doença de
Parkinson. Consiste na implantação de um aparelho, semelhante a um pacemaker
cardíaco, que descarrega estímulos elétricos nas áreas do cérebro
envolvidas no controle dos movimentos. O objetivo é bloquear os sinais
nervosos que causam os sintomas da doença.
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