segunda-feira, 31 de março de 2014

Estatina pode abrandar esclerose múltipla em estádio avançado
Estudo publicado na revista “The Lancet”

Um dos fármacos utilizados para diminuir os níveis do colesterol, o sinvastatina, pode funcionar como uma potencial opção de tratamento para a esclerose múltipla secundária progressiva, defende um estudo publicado na revista “The Lancet”.
 
Nos estádios iniciais, a esclerose múltipla é caracterizada por sintomas neurológicos intermitentes, denominada por esclerose múltipla reincidente-remitente. Após 10 a 15 anos, mais de metade dos pacientes desenvolve esclerose múltipla secundária progressiva, um estado caracterizado pelo agravamento dos sintomas e aumento de incapacidade. Contudo, até à data, nenhum dos fármacos licenciados mostrou ter impacto nesta fase da doença.
 
As estatinas têm mostrado ter efeitos anti-inflamatórios e neuroprotetores. Estudos anteriores já tinham demonstrado que a toma de sinvastatina em pacientes com esclerose múltipla em estádios iniciais reduzia as lesões cerebrais. Contudo, os estudos subsequentes encontraram resultados discrepantes.
 
De forma a investigar o potencial efeito deste fármaco na esclerose múltipla secundária progressiva, os investigadores da Universidade de College London, no Reino Unido, administraram a 140 pacientes, com idades compreendidas entre os 18 e os 65 anos, 80mg de sinvastatina ou um placebo, ao longo de dois anos. Os pacientes foram submetidos a ressonâncias magnéticas antes e após o tratamento.
 
O estudo apurou que, comparativamente com a toma de um placebo, a sinvastatina conduziu a uma diminuição na taxa de atrofia média do cérebro de 0,3% ao ano, uma redução de 43% quando foram ajustados fatores como a idade e sexo. Foi verificado que houve também uma melhoria em escalas de avaliação realizadas tanto pelos médicos como pelos pacientes. A sinvastatina mostrou ser geralmente bem tolerada, tendo os eventos secundários sido semelhantes entre os dois grupos.
 
De acordo com os investigadores, liderados por Jeremy Chataway, a interpretação destes resultados deve ser feita com cautela, pois podem não se traduzir necessariamente em benefícios clínicos. No entanto, estes resultados promissores justificam, segundo os investigadores, uma investigação mais aprofundada em ensaio clínicos de fase 3.
 
“Após quase duas décadas de pesquisa, é muito gratificante ver este progresso alcançado, uma vez que beneficiar a vida dos pacientes”, conclui o investigador.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A. (http://www1.alert-online.com/pt/news/health-portal/estatina-pode-abrandar-esclerose-multipla-em-estadio-avancado?utm_source=NL_NOTICIAS_DESTAQUES&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_20140331)
Sono deveria ser prescrito para o tratamento de doenças metabólicas
Estudo publicado no “The Lancet Diabetes & Endocrinology”


Os problemas de sono deveriam ser tidos em conta no âmbito do tratamento e prevenção das doenças metabólicas, nomeadamente da diabetes tipo 2 e obesidade, defende um estudo publicado na revista “The Lancet Diabetes & Endocrinology”.
 
Os investigadores liderados por Bernd Schultes, do eSwiss Medical and Surgical Centre, na Suíça, explicam que para além da predisposição genética, a saúde metabólica é também dependente de fatores associados ao comportamento como os hábitos alimentares e a atividade física. Nos últimos anos, a perda de sono, associada ao estilo de vida das sociedades modernas, tem sido encarada como mais um fator que afeta a saúde metabólica.
 
Assim na opinião dos autores do estudo, o tratamento de alguns tipos de distúrbios de sono, como a apneia de sono, poderá ter um efeito benéfico direto na saúde metabólica dos pacientes. Contudo, atualmente as pessoas não dormem o suficiente. Este é um problema que resulta muitas vezes do tempo que as pessoas despendem com os dispositivos eletrónicos, nomeadamente com os tablets ou videojogos.
 
Adicionalmente, a interrupção do ciclo de sono e vigília ao que os indivíduos que trabalham por turnos são submetidos também parece estar claramente associada com uma deficiente saúde metabólica, a qual é acompanhada por um aumento da taxa de doenças crónicas e mortalidade precoce.
 
Apesar de vários estudos epidemiológicos terem observado que havia uma associação clara entre uma fraca qualidade de sono e as doenças metabólica, até há pouco tempo, a razão desta associação ainda não estava devidamente esclarecida. Contudo, alguns estudos experimentais têm demonstrado que há de facto um efeito direto da perda de sono na capacidade do organismo metabolizar a glucose, controlar o consumo de alimentos e manter um equilíbrio energético.
 
“Estes achados apontam para novas estratégias de intervenções que tenham por alvo a epidemia das doenças metabólicas e as condições a elas associadas. Estudos futuros irão demonstrar se as intervenções que melhoram a duração e qualidade do sono podem impedir ou até reverter os traços metabólicos adversos”, referem os autores do estudo.
 
Entretanto, de acordo com os achados até à data apurados, os profissionais de saúde deveriam motivar os seus pacientes a dormir adequadamente, concluem os investigadores.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A. (http://www1.alert-online.com/pt/news/health-portal/sono-deveria-ser-prescrito-para-o-tratamento-de-doencas-metabolicas?utm_source=NL_NOTICIAS_DESTAQUES&utm_medium=email&utm_campaign=NL_AHP_20140331)

quarta-feira, 5 de março de 2014

Notícia sobre "Espinha Bífida - Do Diagnóstico à Reabilitação" na Revista "Plural e Singular" (pág. 30)

Revista Plural e Singular

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Melatonina pode reduzir risco de cancro da próstata
Estudo de Saúde Pública de Harvard


Níveis elevados de melatonina, uma hormona envolvida no ciclo de sono e vigília, podem ser sugestivos da diminuição do risco de desenvolvimento de cancro da próstata avançado, dá conta um estudo apresentado na conferência Prostate Cancer Foundation.
 
A melatonina é uma hormona que se produz exclusivamente à noite e é um produto importante do ritmo circadiano. Muitos dos processos biológicos são regulados pelo ritmo circadiano, incluindo o ciclo de sono e vigília. A melatonina pode desempenhar também um papel importante na regulação de várias outras hormonas que influenciam determinados cancros, como o da mama e da próstata.
 
“A falta de sono e outros fatores podem influenciar a quantidade de melatonina secretada ou bloqueá-la por completo; e os problemas de saúde associados com baixas quantidades de melatonina, interrupção do sono e/ou interrupção do ritmo circadiano são vários, incluindo, um possível fator de risco do cancro”, explicou, em comunicado de imprensa, um das autoras do estudo, Sarah C. Markt.
 
Neste estudo os investigadores da Escola de Saúde Pública de Harvard, nos EUA, decidiram avaliar, numa amostra de 928 homens, se havia uma associação entre o risco de desenvolvimento de cancro da próstata e os níveis de um subproduto da melatonina presentes na urina, a 6-sulfatoximelatonina.
 
O estudo apurou que um em cada sete homens referiu ter problemas de sono, um em cada cinco disse ter problemas em permanecer a dormir, e quase um em cada três tomava medicamentos para dormir.
 
Os investigadores constataram que os homens que tomavam medicamentos para dormir, que tinham problemas em adormecer ou permanecer a dormir apresentavam, comparativamente com os homens sem problemas de sono, níveis significativamente mais baixos de 6-sulfatoximelatonina.
 
No total, 111 homens foram diagnosticados com cancro da próstata, incluindo 24 em fase avançada. Foi observado que os participantes que tinham níveis de 6-sulfatoximelatonina acima da média apresentavam um risco 75% menor de desenvolver cancro da próstata avançado.
 
Os investigadores referem que apesar dos resultados deste estudo necessitarem de ser replicados, estes apoiam a importância dos ciclos de luz e escuridão e de sono vigília em se manterem estáveis. Foi ainda acrescentado que dado que os níveis de melatonina são potencialmente modificáveis são necessários mais estudos sobre a melatonina e o risco da progressão do cancro da próstata.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A. (http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/melatonina-pode-reduzir-risco-de-cancro-da-prostata)
Doenças respiratórias responsáveis pela morte de 50 portugueses por dia
Dados do relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias

 
Em 2012, as doenças respiratórias foram responsáveis pela morte de 50 portugueses por dia, um aumento de 17% em relação ao ano anterior, dá conta o relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR).
 
O documento elaborado pela Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP) e ao qual a agência Lusa teve acesso refere que, em 2012, morreram por doenças respiratórias 13.908 portugueses. A este número acrescem 4.012 óbitos por cancros da traqueia, brônquios e pulmão. 
 
 “Estes valores são muito superiores aos óbitos por todas as outras causas que, praticamente, não variam desde 2005”.
 
Em relação às pneumonias e os cancros do aparelho respiratório, estes representam 60,29% dos óbitos por doenças do foro respiratório (10.805 em 17.920).O documento refere que houve um aumento da mortalidade em todas as patologias, à exceção da tuberculose, e uma relativa estabilização em relação aos cancros.
 
“Além do frio e das infeções virais, teremos de estar alertados para o facto de, em épocas de crise e de significativa diminuição do poder de compra, haver uma tendência, geralmente reconhecida, para o aumento das doenças respiratórias”, diz o relatório.
 
Os autores classificam estes dados de “preocupantes”, sublinhando que, em matéria de mortalidade, “assistiu-se a uma subida abrupta, praticamente em todos os grupos nosológicos das doenças respiratórias, tanto nas doenças não transmissíveis como a asma e a DPOC, como nas doenças infeciosas, nomeadamente nas pneumonias”.
 
Em matéria de internamentos por doenças respiratórias - asma, Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), pneumonias, fibroses, neoplasias, bronquiectasias, patologia pleural, tuberculose e gripe - em 2012 foram internados 70.546 doentes (64.122 em 2011).
 
Em 2012, as três principais causas de internamento por doenças respiratórias foram as pneumonias, a DPOC e as neoplasias.
 
Artur Teles de Araújo , relator do documento e membro da direção da FPP, , defende a articulação entre serviços para dar uma melhor resposta, principalmente num cenário de crise, como o atual.
 
Para justificar o lema deste relatório – “Prevenir a Doença, Acompanhar e Reabilitar o Doente” - a FPP considera que há "grandes lacunas: educação para a saúde insuficiente, escassa literacia em saúde, insuficiência de apoios no combate ao tabagismo, incompleta implementação da Rede de Espirometria, escassa sensibilização para as vantagens do exercício físico e erros na área da nutrição”.
 
No acompanhamento do doente, a Fundação identifica também falhas: “Falta de estratégias para promoção do diagnóstico precoce, insuficiências na acessibilidade e equidade nos cuidados de saúde, dificuldades no acesso aos medicamentos (roturas de stocks, elevado valor monetário desembolsado pelos doentes)”. 
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A (http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/doencas-respiratorias-responsaveis-pela-morte-de-50-portugueses-por-dia)
Olho Seco afeta 20% dos portugueses
Alerta da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia


O Olho Seco é uma patologia inflamatória que afeta 20 % da população adulta, podendo a sua incidência estar a aumentar no mundo, alerta a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO).
 
Os sintomas de alerta desta de outras formas de inflamação da superfície ocular externa incluem, desconforto ocular, sensação de corpo estranho, ardor, picadelas, prurido, irritação ocular, olho vermelho e sensação de pálpebras pesadas, refere em comunicado a SPO.
 
O presidente desta Sociedade, Paulo Torres, explica que “o Olho Seco é, em muitos casos, consequência da diminuição da produção de lágrima, da deficiência de alguns dos seus componentes e da maior evaporação da lágrima, esta última relacionada com a diminuição do pestanejo reflexo com uma maior evaporação da lágrima e um menor recobrimento da superfície ocular pelo filme lacrimal”.
 
Esta patologia está também relacionada com outros fatores, nomeadamente o envelhecimento natural, alterações hormonais como na menopausa da mulher, tabagismo, alcoolismo, cirurgias oculares, uso prolongado de lentes de contacto e a exposição prolongada a meios ambientes pessoais e ou profissionais agressivos.
 
O especialista refere ainda que “esta síndrome pode ser uma manifestação de doenças sistémicas, particularmente as do foro imunológico (artrite reumatoide, lúpus eritematoso disseminado, síndrome de Sjögren, sarcoidose, entre outras), outras doenças como a diabetes mellitus, bem como consequência de medicação sistémica antidepressiva e antihipertensora prolongada.
 
Apesar dos sintomas incomodativos, o olho seco geralmente não interfere com a visão, podendo ser tratado de uma forma eficaz com lágrimas artificiais de conforto.
 
Paulo Torres conclui que “a avaliação inicial por um oftalmologista para despiste de patologia ocular associada deve ser sempre efetuada”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Proteína com papéis distintos na pressão arterial e na doença de Alzheimer
Estudo publicado no “Journal of Clinical Investigation”


Uma proteína envolvida na pressão arterial elevada pode ajudar na prevenção da doença de Alzheimer, dá conta um estudo publicado no “Journal of Clinical Investigation”.
 
Neste estudo os investigadores do Centro Médico Cedars-Sinai, nos EUA, demonstraram, pela primeira vez, que a enzima conversora da angiotensina (ECA), conhecida pelos seus efeitos na pressão arterial, pode, de facto, induzir uma resposta imune protetora no cérebro e afetar a cognição. Foi também verificado que esta enzima está envolvida na remoção da proteína beta-amiloide nos vasos sanguíneos do cérebro.
 
A acumulação da proteína beta-amiloide no cérebro está fortemente associada à doença de Alzheimer. O desenvolvimento das placas amiloides conduz ao dano, destruição das células e ao desenvolvimento de um processo inflamatório que se acredita estar associado ao declínio da função mental.
 
Apesar de ainda não se saber ao certo por que motivo estes depósitos são formados, a comunidade científica acredita que a redução dos níveis da proteína beta-amiloide no início do desenvolvimento da doença poderá ajudar a impedir a sua progressão.
 
Neste estudo os investigadores, liderados por Maya Koronyo-Hamaoui, utilizaram ratinhos geneticamente modificados para apresentarem placas amiloides e sintomas da doença de Alzheimer. Estes foram cruzados com outros animais que tinham uma elevada expressão da proteína ECA em algumas células do sistema imunitário
 
Os investigadores apuraram que os ratinhos descendentes deste cruzamento tinham níveis mais baixos da proteína beta-amiloide e menores níveis de inflamação. O desempenho destes animais nos testes de aprendizagem e memória foi similar ao encontrado nos ratinhos controlo.
 
Desta forma, este estudo demonstra que a ECA pode ter efeitos prejudiciais ou benefícios, dependendo da forma e do local onde é ativada. Esta enzima contribui para a produção da angiotensina II, uma hormona envolvida no estreitamente dos vasos sanguíneos e no aumento da pressão arterial. Contudo, níveis elevados da ECA no cérebro conduzem a uma resposta rápida e eficaz do sistema imunitário contra a proteína beta-amiloide.
 
Os investigadores revelaram que estes resultados foram muito surpreendentes e que podem levar ao desenvolvimento de novas estratégias que impeçam a progressão da doença.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.