terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Melatonina pode reduzir risco de cancro da próstata
Estudo de Saúde Pública de Harvard


Níveis elevados de melatonina, uma hormona envolvida no ciclo de sono e vigília, podem ser sugestivos da diminuição do risco de desenvolvimento de cancro da próstata avançado, dá conta um estudo apresentado na conferência Prostate Cancer Foundation.
 
A melatonina é uma hormona que se produz exclusivamente à noite e é um produto importante do ritmo circadiano. Muitos dos processos biológicos são regulados pelo ritmo circadiano, incluindo o ciclo de sono e vigília. A melatonina pode desempenhar também um papel importante na regulação de várias outras hormonas que influenciam determinados cancros, como o da mama e da próstata.
 
“A falta de sono e outros fatores podem influenciar a quantidade de melatonina secretada ou bloqueá-la por completo; e os problemas de saúde associados com baixas quantidades de melatonina, interrupção do sono e/ou interrupção do ritmo circadiano são vários, incluindo, um possível fator de risco do cancro”, explicou, em comunicado de imprensa, um das autoras do estudo, Sarah C. Markt.
 
Neste estudo os investigadores da Escola de Saúde Pública de Harvard, nos EUA, decidiram avaliar, numa amostra de 928 homens, se havia uma associação entre o risco de desenvolvimento de cancro da próstata e os níveis de um subproduto da melatonina presentes na urina, a 6-sulfatoximelatonina.
 
O estudo apurou que um em cada sete homens referiu ter problemas de sono, um em cada cinco disse ter problemas em permanecer a dormir, e quase um em cada três tomava medicamentos para dormir.
 
Os investigadores constataram que os homens que tomavam medicamentos para dormir, que tinham problemas em adormecer ou permanecer a dormir apresentavam, comparativamente com os homens sem problemas de sono, níveis significativamente mais baixos de 6-sulfatoximelatonina.
 
No total, 111 homens foram diagnosticados com cancro da próstata, incluindo 24 em fase avançada. Foi observado que os participantes que tinham níveis de 6-sulfatoximelatonina acima da média apresentavam um risco 75% menor de desenvolver cancro da próstata avançado.
 
Os investigadores referem que apesar dos resultados deste estudo necessitarem de ser replicados, estes apoiam a importância dos ciclos de luz e escuridão e de sono vigília em se manterem estáveis. Foi ainda acrescentado que dado que os níveis de melatonina são potencialmente modificáveis são necessários mais estudos sobre a melatonina e o risco da progressão do cancro da próstata.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A. (http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/melatonina-pode-reduzir-risco-de-cancro-da-prostata)
Doenças respiratórias responsáveis pela morte de 50 portugueses por dia
Dados do relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias

 
Em 2012, as doenças respiratórias foram responsáveis pela morte de 50 portugueses por dia, um aumento de 17% em relação ao ano anterior, dá conta o relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR).
 
O documento elaborado pela Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP) e ao qual a agência Lusa teve acesso refere que, em 2012, morreram por doenças respiratórias 13.908 portugueses. A este número acrescem 4.012 óbitos por cancros da traqueia, brônquios e pulmão. 
 
 “Estes valores são muito superiores aos óbitos por todas as outras causas que, praticamente, não variam desde 2005”.
 
Em relação às pneumonias e os cancros do aparelho respiratório, estes representam 60,29% dos óbitos por doenças do foro respiratório (10.805 em 17.920).O documento refere que houve um aumento da mortalidade em todas as patologias, à exceção da tuberculose, e uma relativa estabilização em relação aos cancros.
 
“Além do frio e das infeções virais, teremos de estar alertados para o facto de, em épocas de crise e de significativa diminuição do poder de compra, haver uma tendência, geralmente reconhecida, para o aumento das doenças respiratórias”, diz o relatório.
 
Os autores classificam estes dados de “preocupantes”, sublinhando que, em matéria de mortalidade, “assistiu-se a uma subida abrupta, praticamente em todos os grupos nosológicos das doenças respiratórias, tanto nas doenças não transmissíveis como a asma e a DPOC, como nas doenças infeciosas, nomeadamente nas pneumonias”.
 
Em matéria de internamentos por doenças respiratórias - asma, Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), pneumonias, fibroses, neoplasias, bronquiectasias, patologia pleural, tuberculose e gripe - em 2012 foram internados 70.546 doentes (64.122 em 2011).
 
Em 2012, as três principais causas de internamento por doenças respiratórias foram as pneumonias, a DPOC e as neoplasias.
 
Artur Teles de Araújo , relator do documento e membro da direção da FPP, , defende a articulação entre serviços para dar uma melhor resposta, principalmente num cenário de crise, como o atual.
 
Para justificar o lema deste relatório – “Prevenir a Doença, Acompanhar e Reabilitar o Doente” - a FPP considera que há "grandes lacunas: educação para a saúde insuficiente, escassa literacia em saúde, insuficiência de apoios no combate ao tabagismo, incompleta implementação da Rede de Espirometria, escassa sensibilização para as vantagens do exercício físico e erros na área da nutrição”.
 
No acompanhamento do doente, a Fundação identifica também falhas: “Falta de estratégias para promoção do diagnóstico precoce, insuficiências na acessibilidade e equidade nos cuidados de saúde, dificuldades no acesso aos medicamentos (roturas de stocks, elevado valor monetário desembolsado pelos doentes)”. 
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A (http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/doencas-respiratorias-responsaveis-pela-morte-de-50-portugueses-por-dia)
Olho Seco afeta 20% dos portugueses
Alerta da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia


O Olho Seco é uma patologia inflamatória que afeta 20 % da população adulta, podendo a sua incidência estar a aumentar no mundo, alerta a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO).
 
Os sintomas de alerta desta de outras formas de inflamação da superfície ocular externa incluem, desconforto ocular, sensação de corpo estranho, ardor, picadelas, prurido, irritação ocular, olho vermelho e sensação de pálpebras pesadas, refere em comunicado a SPO.
 
O presidente desta Sociedade, Paulo Torres, explica que “o Olho Seco é, em muitos casos, consequência da diminuição da produção de lágrima, da deficiência de alguns dos seus componentes e da maior evaporação da lágrima, esta última relacionada com a diminuição do pestanejo reflexo com uma maior evaporação da lágrima e um menor recobrimento da superfície ocular pelo filme lacrimal”.
 
Esta patologia está também relacionada com outros fatores, nomeadamente o envelhecimento natural, alterações hormonais como na menopausa da mulher, tabagismo, alcoolismo, cirurgias oculares, uso prolongado de lentes de contacto e a exposição prolongada a meios ambientes pessoais e ou profissionais agressivos.
 
O especialista refere ainda que “esta síndrome pode ser uma manifestação de doenças sistémicas, particularmente as do foro imunológico (artrite reumatoide, lúpus eritematoso disseminado, síndrome de Sjögren, sarcoidose, entre outras), outras doenças como a diabetes mellitus, bem como consequência de medicação sistémica antidepressiva e antihipertensora prolongada.
 
Apesar dos sintomas incomodativos, o olho seco geralmente não interfere com a visão, podendo ser tratado de uma forma eficaz com lágrimas artificiais de conforto.
 
Paulo Torres conclui que “a avaliação inicial por um oftalmologista para despiste de patologia ocular associada deve ser sempre efetuada”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Proteína com papéis distintos na pressão arterial e na doença de Alzheimer
Estudo publicado no “Journal of Clinical Investigation”


Uma proteína envolvida na pressão arterial elevada pode ajudar na prevenção da doença de Alzheimer, dá conta um estudo publicado no “Journal of Clinical Investigation”.
 
Neste estudo os investigadores do Centro Médico Cedars-Sinai, nos EUA, demonstraram, pela primeira vez, que a enzima conversora da angiotensina (ECA), conhecida pelos seus efeitos na pressão arterial, pode, de facto, induzir uma resposta imune protetora no cérebro e afetar a cognição. Foi também verificado que esta enzima está envolvida na remoção da proteína beta-amiloide nos vasos sanguíneos do cérebro.
 
A acumulação da proteína beta-amiloide no cérebro está fortemente associada à doença de Alzheimer. O desenvolvimento das placas amiloides conduz ao dano, destruição das células e ao desenvolvimento de um processo inflamatório que se acredita estar associado ao declínio da função mental.
 
Apesar de ainda não se saber ao certo por que motivo estes depósitos são formados, a comunidade científica acredita que a redução dos níveis da proteína beta-amiloide no início do desenvolvimento da doença poderá ajudar a impedir a sua progressão.
 
Neste estudo os investigadores, liderados por Maya Koronyo-Hamaoui, utilizaram ratinhos geneticamente modificados para apresentarem placas amiloides e sintomas da doença de Alzheimer. Estes foram cruzados com outros animais que tinham uma elevada expressão da proteína ECA em algumas células do sistema imunitário
 
Os investigadores apuraram que os ratinhos descendentes deste cruzamento tinham níveis mais baixos da proteína beta-amiloide e menores níveis de inflamação. O desempenho destes animais nos testes de aprendizagem e memória foi similar ao encontrado nos ratinhos controlo.
 
Desta forma, este estudo demonstra que a ECA pode ter efeitos prejudiciais ou benefícios, dependendo da forma e do local onde é ativada. Esta enzima contribui para a produção da angiotensina II, uma hormona envolvida no estreitamente dos vasos sanguíneos e no aumento da pressão arterial. Contudo, níveis elevados da ECA no cérebro conduzem a uma resposta rápida e eficaz do sistema imunitário contra a proteína beta-amiloide.
 
Os investigadores revelaram que estes resultados foram muito surpreendentes e que podem levar ao desenvolvimento de novas estratégias que impeçam a progressão da doença.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Endometriose: novos achados podem ajudar no diagnóstico e tratamento
Estudo publicado na “Science Translational Medicine”


Investigadores americanos identificaram a atividade celular associada a determinados sintomas da endometriose, a qual pode ajudar a melhorar o diagnóstico desta doença e a desenvolver fármacos mais eficazes, dá conta um estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”.
 
A endometriose é caracterizada pela presença do tecido endometrial, que habitualmente se encontra no útero, noutros órgãos como ovários, cólon e diafragma. Esta presença cria lesões que causam dor e podem levar à infertilidade.
 
“As pacientes com endometriose queixam-se de infertilidade e dor, mas para além disso parece o jogo de adivinhas. Há poucos mecanismos moleculares conhecidos”, explicou, uma das autoras do estudo, Linda Griffith.
 
A endometriose é difícil de estudar uma vez que esta aparece e desaparece em diferentes momentos da vida das mulheres, e os sintomas bem como a severidade também variam bastante. Adicionalmente o diagnóstico pode demorar vários anos, entre três a 15 anos. Desta forma o líder do estudo, Michael Beste, refere que há de facto necessidade de melhorar a compreensão tanto da biologia básica, como das manifestações clínicas da doença para tratar com mais eficácia e melhorar a qualidade de vida das mulheres afetadas.
 
Assim, neste estudo os investigadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA, analisaram o fluido peritoneal de 77 mulheres que tinham sintomas de endometriose variados. Foram medidas 50 proteínas em cada amostra, nomeadamente citoquinas. Estas proteínas são conhecidas por regular a resposta do sistema imune aos agentes infeciosas, estando também envolvidas no processo inflamatório.
 
O estudo apurou que determinados sintomas, como lesões do ovário e rectovaginais, estavam associados a um perfil específico de atividade das citoquinas. Este padrão, que incluía 13 citoquinas, estava também negativamente associado à fertilidade.
 
Os investigadores também constaram que a c-Jun, uma proteína envolvida na inflamação e já previamente associada à endometriose, era um dos reguladores deste padrão. Foi também observado que o padrão de citoquinas identificado era produzido por um tipo de células imunes, os macrófagos.
 
Na opinião dos autores do estudo, estes resultados poderão abrir portas para o desenvolvimento de novos tratamentos e fornecer uma melhor compreensão dos mecanismos responsáveis por esta condição.
 
Fonte - ALERT Life Sciences Computing, S.A (http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/endometriose-novos-achados-podem-ajudar-no-diagnostico-e-tratamento)

sábado, 11 de janeiro de 2014



Cérebro elimina toxinas durante o sono

Estudo publicado na “Science”

Uma boa noite de sono limpa literalmente a mente. O estudo publicado na revista “Science” constatou que durante o sono o cérebro elimina as toxinas produzidas durante o dia.

Durante séculos, os cientistas e filósofos questionaram-se sobre o motivo pelo qual as pessoas dormiam, e como o sono afetava o cérebro. Apenas recentemente os cientistas demonstraram que o sono é importante para o armazenamento das memórias. Este estudo sugere agora um novo papel do sono na saúde e na doença.

Este estudo, levado a cabo pelos investigadores Universidade de Rochester, nos EUA, teve por base uma descoberta recente, a qual demonstrou que o cérebro tem o seu próprio sistema de eliminação de resíduos celulares, o qual é conhecido por sistema “'glymphatic”. Foi verificado que, durante o sono, este sistema está 10 vezes mais ativo.

Os investigadores começaram por estudar este sistema através da injeção de um corante no líquido cefalorraquidiano (LCR) de ratinhos, tendo observado o fluxo e, simultaneamente, monitorizado a atividade elétrica cerebral. Foi observado que o corante fluía rapidamente quando os animais estavam inconscientes, a dormir ou anestesiados. Pelo contrário, o corante mal se movia quando os ratinhos estavam acordados.

Ficamos surpreendidos com o baixo fluxo presente no cérebro dos ratinhos que estavam acordados. Este achado sugere que talvez o espaço este as células cerebrais se altere entre o estado consciente e inconsciente”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Maiken Nedergaar.

Na verdade os investigadores verificaram que o espaço entre as células aumentava cerca de 60% quando os animais estavam a dormir. “Observámos alterações dramáticas no espaço extracelular”, referiu um outro autor do estudo, Maiken Nedergaard.
 
Estudos anteriores já tinham sugerido que as moléculas tóxicas envolvidas nas doenças neurodegenerativas se acumulavam no espaço entre as células cerebrais. Os investigadores observaram que a proteína beta-amilóide, envolvida na doença de Alzheimer, era eliminada mais rapidamente quando os animais estavam a dormir, o que sugere, de facto, que o sono elimina as moléculas tóxicas do cérebro.
 
“Estes resultados podem ter várias implicações em múltiplas doenças neurológicas, ou seja as células que regulam o sistema “'glymphatic ”podem tornar-se alvos de tratamento destas doenças”, conclui um dos autores do estudo, Jim Koenig.
 
Fonte em http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/cerebro-elimina-toxinas-durante-o-sono


Células nervosas do estômago funcionam como relógio circadiano 

Estudo publicado no “Journal of Neuroscience”

As células nervosas do estômago atuam como um relógio circadiano, limitando o consumo de alimentos para momentos específicos do dia, sugere um estudo publicado no “Journal of Neuroscience”.

Neste estudo os investigadores da Universidade de Adelaide, na Austrália, investigaram como as células nervosas do estômago respondiam à dilatação, que ocorre como consequência do consumo de alimentos, em intervalos de três horas ao longo do dia.

O líder do estudo explicou que estas células nervosas são responsáveis por informar o cérebro sobre a quantidade de alimentos consumida e quando a sua ingestão deve ser interrompida.

O estudo apurou que as células nervosas atingem uma sensibilidade mínima nos períodos de vigília. O que significa que, nas alturas do dia de maior atividade, quando é necessária uma maior energia, é consumida uma maior quantidade de alimentos, antes de as pessoas se sentirem saciadas.

Contudo, os investigadores constataram que no período de sono, as células nervosas do estômago tornam-se mais sensíveis à dilatação, sinalizando mais rapidamente a saciedade o cérebro, e consequentemente, limitando o consumo de alimentos. Esta variação repete-se a cada 24 hora, de uma forma circadiana, com as células nervosas a atuarem como relógio a coordenar o consumo de alimentos e as necessidades de energia. 

Apesar destes achados terem sido obtidos através de experiências laboratoriais, os investigadores acreditam que as mesmas variações nas respostas das células nervosas ocorram nos humanos, ou seja as células nervosas são menos sensíveis durante o dia e mais sensíveis à noite.  

A líder do estudo, Amanda Page, referiu que estes achados “poderão conduzir a novas descobertas de como as alterações do ritmo circadiano afeta os hábitos alimentares das pessoas. "
Sabemos que os indivíduos que trabalham por turnos, por exemplo, são mais propensas a terem distúrbios no sono e no comportamento alimentar, conduzindo à obesidade e a outros problemas de saúde. Atualmente estamos a realizar mais estudos para averiguar o tipo de impacto que estas alterações no ritmo circadiano têm sobre comportamento alimentar, e como as células nervosas do estômago reagem a estas mudanças", conclui a investigadora.

Fonte - http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/celulas-nervosas-do-estomago-funcionam-como-relogio-circadiano